Viagens ao espaço agora são rotina para Nasa
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de julho de 1999
Por Leda Beck 
São Francisco, 19 (AE) - De 1969 para cá, quase tudo mudou na configuração das missões espaciais da Nasa. Se no tempo da Apollo 11 nem sequer existiam mulheres pilotos nas Forças Armadas norte-americanas e a comunidade científica vivia às turras com os militares para incluir cientistas nos vôos, agora são comuns nas missões espaciais.
Amanhã, por exemplo, decola de Houston, no Texas, o vôo STS-93 da Columbia, para uma missão de cinco dias no espaço, com aterrissagem prevista para o dia 24. Este vôo tem um significado especial: ele faz parte dos eventos programados pela Nasa para celebrar os 30 anos da chegada do homem à Lua.
Por isso, pela primeira vez, a missão será comandada por uma mulher, a coronel Eileen Marie Collins, de 43 anos, da Força Aérea dos Estados Unidos (Usaf). A tenente-coronel da Usaf, Catherine G. Cady Coleman, também integra a tripulação, que tem ainda outros três membros: o capitão da Marinha americana Jeffrey S. Ashby, que é o piloto; o astronauta da Nasa, Steven A. Hawley, e o coronel da Força Aérea francesa, Michel Tognini.
O currículo dos tripulantes impressionaria qualquer universidade. A coronel Collins, por exemplo, tem diplomas de matemática e ciências do Corning Community College, matemática e economia da Syracuse University, pesquisa de operações da Stanford University e um quarto diploma, de gerenciamento de sistemas espaciais, pela Webster University.
A tenente-coronel Cady não fica atrás: formada em química pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), e com doutorado em Engenharia e Ciência de Polímeros, é a responsável pelo lançamento do Observatório de Raio-X Chandra, que custou US$ 1,5 bilhão à Nasa e é o terceiro grande observatório lançado ao espaço pela organização. Cady fará o lançamento sete horas após a decolagem e o telescópio vai passar os próximos cinco anos em uma órbita, para estudar fontes de atividade astronômica.
Já o astronauta Steven Hawley, da Nasa, único que não é militar, é formado em Física e Astronomia pela Universidade de Kansas e tem doutorado em astronomia e astrofísica pela Universidade da Califórnia. Antes era um pesquisador no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, em La Serena, no Chile. Ele testará um equipamento para exercícios físicos a bordo. O tapete rolante, chamado Treadmill Vibration Isolation and Stabilization System (TVIS), deve prover tripulações com sistemas eficientes de exercício físico sem perturbar os experimentos científicos em órbita.
O vôo da Columbia é apropriado para testar o equipamento porque terá dez experimentos científicos a bordo. Os experimentos incluem a investigação do crescimento de plantas em microgravidade 1, um modelo de cultura de células, um experimento de radioamadorismo a bordo para comunicação com a Terra (a coronel Collins vai conversar com alunos de escolas primárias norte-americanas, em classe), testes de sistemas microeletromecânicos, pesquisa biológica em tubos, um sistema de processamento de fluidos biológicos em microgravidade, investigações microcelulares para validar modelos de perda de tecido no espaço e outros.
Lançar o Chandra é a principal meta do vôo, mas a missão inclui acionar os jatos da Columbia várias vezes durante o vôo para ajudar um satélite a recolher dados sobre as características desses jatos em órbita. A tripulação também vai operar o Sistema de Imagens Ultravioleta do Sudoeste, um pequeno telescópio que será montado em uma das janelas da Columbia para recolher dados sobre luz ultravioleta originária de vários corpos planetários.


