Lembra daquele filme ‘‘Viagem Insólita’’, em que pessoas em miniatura percorrem o interior de um corpo humano, mostrando como funcionam órgãos e sistemas? ‘‘Aquilo que a gente considerava ficção, parcialmente se tornou realidade. Conhecer o interior do corpo humano, mais do que necessidade científica, foi uma curiosidade que permitiu a visualização dos vários órgãos’’ - é assim que o gastroenterologista Roberto Menoli, de Londrina, se refere às novas tecnologias disponíveis em exames. Ele e o também gastro Oscar Tacla Júnior trouxeram, através do Hospital do Coração, uma nova tecnologia para Londrina - uma cápsula para fazer endoscopia.
A cápsula, que o paciente engole, tem uma microcâmera que, à medida que segue pelo sistema digestivo vai captando imagens até ser eliminada. A grande vantagem da cápsula é que ela permite que todo o sistema digestivo seja visualizado, desde o esôfago, passando por estômago, intestino delgado e grosso, até o reto - o que não é possível mesmo fazendo dois exames tradicionais.
Na endoscopia digestiva chamada ‘‘alta’’ é possível ‘‘enxergar’’ esôfago, estômago e duodeno, até onde o aparelho é inserido. Em outro exame, chamado colonoscopia, que avalia a parte inferior do sistema digestivo, o alcance é só até o intestino grosso ou cólon. Ficava fora da possibilidade de visualização parte importante do sistema digestivo que, se esticado tem de seis a sete metros: o intestino delgado, correspondente a cerca de três metros.
‘‘Antigamente se usava o raio-X. Mas, com o advento da cápsula, a grande vantagem é visualizar um segmento grande, local de algumas patologias, até então inalcançável por outros métodos’’, ressalta Menoli.
Mas o exame com a cápsula não é indicado em todos os casos. Pelo contrário: só tem indicação se o paciente já passou pelos outros métodos tradicionais e não foi localizado o problema. ‘‘Ela não substitui a endoscopia e a colonoscopia. Há uma tendência dos pacientes solicitarem o que há de mais novo em tecnologia, mas é preciso não criar uma falsa expectativa e achar (que a cápsula) é uma panacéia, que vai resolver todos os problemas’’, avalia Menoli.
A principal indicação para o uso da cápsula é o chamado sangramento intestinal de origem obscura, visível ou microscópico (que causa anemia), e que não foi descoberto com os outros exames. A cápsula ainda pode ajudar a localizar varizes, ulcerações, tumores, causas de diarréia crônica, diagnosticar doença celíaca e localizar lesões causadas por medicamentos no intestino delgado. Além da doença de Crohn (inflamatória intestinal), que pode causar úlceras da boca até o reto, lesões que às vezes estão presentes somente no intestino delgado.
Exemplo é o de um paciente que foi operado de um tumor no intestino grosso, mas continuou com sangramento, mesmo retirada a suposta causa do problema. Com a cápsula foi diagnosticado outro tumor, só que no intestino delgado.

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