A viagem tem início às 6 horas de quarta-feira, pela BR-369, pedagiada, no sentido de Cornélio Procópio. Ainda na saída de Londrina, a pista é dupla, vira simples no perímetro urbano de Ibiporã, e volta a ser dupla 20 quilômetros depois, em Jataizinho. Na saída da cidade, paga-se o primeiro pedágio do trajeto, e poucos minutos depois a pista se torna simples definitivamente. Nos 39 quilômetros até Cornélio Procópio, são raros os trechos com terceira faixa.
A pista é boa, sem buracos ou sobressaltos, numa regularidade natural para uma rodovia onde é preciso pagar para se transitar. Em Cornélio, pega-se a PR-160, rumo a Congonhinhas (45 quilômetros adiante). A estrada tem asfalto com algumas ondulações, e a reportagem simplesmente não vê terceira pista até o trevo de Congonhinhas, quando toma a PR-435.
Nesta rodovia, as condições pioram levemente: a pista é estreita demais, com acostamento curto, e o início é particularmente perigoso para pedestres e carroceiros, já que o trecho é cheio de curvas com pouca visibilidade para os motoristas, o que aumenta a possibilidade de um atropelamento. Mesmo assim, o asfalto é quase impecável, com faixas em cores fortes, indicando que a PR-435 recebeu manutenção há pouco tempo.
Após um acesso curto pela PR-272, a viagem passa por Ibaiti e envereda pela BR-153, um dos trechos problemáticos citados em reportagem da Folha há quatro meses. Os 55 quilômetros até a PR-092 são um pesadelo. Está tudo lá: placas enferrujadas, ausência de acostamento e, principalmente, buracos. Às centenas. Crateras forçam constantes trocas de marcha e castigam a suspensão do carro.
Num trecho de apenas 100 metros, um caminhão de materiais de construção faz de tudo para desviar dos buracos: reduz para 10 km/hm, anda pela contramão, invade o acostamento. Não é à toa que, nos minutos em que o carro da Folha pára para tirar fotos do asfalto, os motoristas que passam buzinam e fazem sinal de positivo, como que dizendo: ''É isso aí!''
Numa parada, a equipe encontra Harley Justino, representante comercial de Santo Antônio da Platina. ''Passo por esta estrada umas quatro vezes por semana. Já tive que fazer de tudo com este carro: trocar rolamento, roda. E nunca melhora nada'', explica, ao mesmo tempo em que apresenta um trófeu: uma calota de Gol que pegou poucos quilômetros antes. ''Vi um carro perdendo a calota, mas o motorista não percebeu. Estou levando pra ver se encontro alguém pela frente reclamando a falta dela'', diz Justino.
Próximo a Conselheiro Mairinck, um funcionário de um posto de gasolina resume a situação: ''Tem buraco nessa rodovia em que cabe inteiro o carro de vocês''. Um pedaço de apenas 55 quilômetros, até poucos antes de Santo Antônio da Platina, é percorrido em 1h45.
Toca-se para a PR-092, que há dois, três meses, era uma das piores rodovias do Paraná. Logo na entrada, um cartaz gigante do governo estadual anuncia a restauração do asfalto. Em trânsito intenso, a pista está segura e com asfalto novo. As únicas queixas ficam para 32 quilômetros adiante, na região de Quatiguá, quando trechos do asfalto se tornam mais irregulares. Os buracos da pista apenas foram tapados, e o carro pula sobre o asfalto, ainda que com condições de manter velocidade normal. Daí em diante, a PR-092 alterna trechos bons com outros apenas regulares.
Em Wenceslau Braz, João Moraes, conhecido como ''Moita'', dono de um restaurante de beira de estrada, saúda a restauração da rodovia. ''Essa era a pior estrada do Paraná, tomaram vergonha na cara e fizeram alguma coisa. Desde que começaram as obras, o movimento no meu restaurante dobrou. Tinha cliente meu que estava cansando de arrebentar o carro ao vir pra cá'', diz o comerciante.
Após cerca de 100 quilômetros na PR-092, chega-se a Arapoti, onde entra-se na PR-239, em 44 quilômetros de bom asfalto e ótima sinalização, até a PR-090, quando as boas impressões se vão. A pista não chega a ser péssima, mas está cheia de remendos, alguns deles já em deterioração. Quando a rodovia entra na jurisdição da concessionária, a situação melhora. São 43 quilômetros de estrada até a PR-151, em Piraí do Sul, em pista dupla em bom estado, que leva a Ponta Grossa após 67 quilômetros, quando o primeiro dia da viagem chega ao fim.

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