Viagem de FHC termina com protestos
France Presse
De Lisboa
O presidente Fernando Henrique Cardoso concluiu ontem em Lisboa uma visita de dois dias, durante a qual assistiu a diversos eventos comemorativos dos 500 anos do descobrimento do Brasil, e na qual agricultores portugueses protestaram contra a situação dos sem-terra no Brasil.
Nestes dois dias, FHC se reuniu com o chefe de governo português, Antonio Guterres, e com seu colega, Jorge Sampaio, que viajará ao Brasil a 22 de abril para assinar um novo tratado de amizade luso-brasileira.
Ontem, FHC fez uma rápida visita à cidade de Santarém, 70 km ao norte de Lisboa, onde o navegante português Pedro Alvares Cabral viveu os últimos anos de sua vida e morreu em 1526.
Na Igreja Nossa Senhora da Graça, o presidente afirmou que nos inclinamos ante os heróis do passado e assistimos à ascensão de dois países para o futuro, colocando uma coroa de flores sobre o túmulo de quem descobriu as Terras de Santa Cruz.
Mas fora do templo, um grupo de manifestantes da Confederação Nacional de Agricultores protestava contra a situação dos 5 milhões de famílias sem-terra, em luta pela reforma agrária no Brasil, enquanto numerosos presentes aplaudiam o presidente brasileiro.
Anteontem à noite, ao ser recebido no Parlamento em Lisboa, dois deputados do Bloco de Esquerda se apresentaram com camisetas onde se lia a inscrição Justiça para José Rainha, um dos dirigentes do MST, condenado em 1997 a 26 anos e meio de prisão pelo assassinato de um policial e de um fazendeiro.
Desde a condenação do líder do MST, várias organizações e sobretudo a Igreja Católica e Anistia Internacional têm criticado o julgamento, chamando-o de político. Diante dos deputados, FHC manifestou seu desejo de que a comemoração do descobrimento do Brasil marque o começo de uma vida comum ainda mais estreita com Portugal.
FHC e Sampaio vão assinar o tratado de Cooperação e Consulta luso-brasileiro em Porto Seguro, o mesmo porto a que chegou Cabral em 1500, anunciou na véspera o ministro português das relações exteriores, Jaime Gama, no final de uma reunião com seu colega brasileiro, Luiz Felipe Lampreia.
Desde 1995, segundo cifras do Banco de Portugal, os investimentos diretos portugueses no Brasil se multiplicaram por 50, alcançando 1,1 bilhão de euros (mesmo volume de dólares) em 1999.
Os investimentos diretos no Brasil representaram ano passado 20,4% do conjunto dos investimentos diretos portugueses no exterior. Esses investimentos se concentram em sua maioria no setor financeiro (Caixa Geral de Depósitos e Grupo Espírito Santo), telecomunicações (Portugal Telecom), energia (Electricidade de Portugal), distribuição (Sonae e Jerônimo Martins) e indústria (Cimementeiras Cimpor).Agricultores portugueses se manifestaram contra a situação dos sem-terra no Brasil; presidente concluiu ontem visita a Lisboa
Agência EstadoFrance PresseMANIFESTAÇÃOO presidente Fernando Henrique Cardoso cercado por integrantes da Confederação Nacional de Agricultores; abaixo, FHC e o presidente de Portugal, Jorge Sampaio, depositam flores no túmulo de Pedro Álvares Cabral, na cidade de Santarém





