Lisboa, 19 (AE) - Uma operação de alta segurança deve ocorrer amanhã (20) em Lisboa. Numa mala de metal fechada com duas chaves, acompanhada por duas especialistas em conservação de documentos do Arquivo da Torre do Tombo, segue para o aeroporto de Lisboa com uma escolta policial a carta original de Pero Vaz de Caminha. Cada especialista da Torre do Tombo leva uma das chaves, feita especialmente para a viagem ao Brasil.
A operação está cercada de segredo. O horário e o vôo do avião não foram revelados. O carro com a escolta só vai parar dentro do aeroporto, quando a caixa já estiver no avião. Chegando a São Paulo, a carta de Caminha segue do avião em um carro blindado até um banco - cujo nome não foi revelado -, onde fica guardada até o dia em que será levada ao Pavilhão da Bienal do Ibirapuera
para a mostra Brasil +500 Anos - Mostra do Redescobrimento, que será aberta no dia 23.
"O percurso do banco até o local da exposição, no Ibirapuera, será feito de helicóptero", conta o presidente da Comissão para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, Joaquim Romero Magalhães. "É um documento que não se pode determinar o valor, por ser insubstituível. É como uma certidão de nascimento do Brasil." Ele não quis revelar o valor do seguro.
Além dos cuidados com a segurança, a grande preocupação dos portugueses são as condições de conservação do documento. Durante a exposição, uma equipe de restauro gráfico vai verificar, diariamente, a situação do documento. Para evitar excesso de luz, apenas uma folha será vista de cada vez, sendo mudada periodicamente. A carta de Caminha permanecerá no Brasil até janeiro de 2001 e, segundo Magalhães, o documento já esteve no País duas vezes - em 1922, na comemoração do centenário da independência, e em 1954, no quarto centenário da cidade de São Paulo. Mas na Torre do Tombo não há registros da saída da carta.

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