Sabará, MG, 21 (AE) - Sabará acordou ao som das matracas na madrugada de hoje. Era o convite aos moradores para participarem da tradicional via-sacra que sai da Igreja São Francisco, no centro da cidade e vai atÉ a Igreja de Nosso Senhor Bom Jesus levando a imagem de Nossa Senhora das Dores, um trajeto de cerca de quatro quilômetros.
A estimativa dos organizadores da Semana Santa é de que quatro mil pessoas participaram da procissão. Segurando velas, todos rezavam, cantavam, pediam e agradeciam à santa de devoção. Alguns fiéis fizeram todo o trajeto descalços como forma de penitência. A partir da metade da procissão, todo o trajeto e de morros. Enquanto muitos jovens se esforçavam para subir, dona Elza Lina Goncalves, 78 anos, era o exemplo da vitalidade. "Nossa Senhora das Dores já me concedeu muitas graças por isso participo da procissão há mais de 20 anos", disse.
No trajeto da procissão foram marcadas as catorze estações que falam sobre o martírio de Jesus Cristo e diante de cada uma delas os fiéis paravam com a imagem e rezavam.Enquanto o cortejo avançava, era engrossado por pessoas que o esperavam passar, formando um caracol iluminado a se arrastar pelas ruas de Sabará por mais de duas horas.
A imagem de Nossa Senhora das Dores só chegou ao alto do Morro da Cruz por volta das 6h30, quando o dia já havia clareado. Ela foi colocada na frente da Igreja de Nosso Senhor Bom Jesus para que pudesse ser beijada pelos fiéis.
Segundo os organizadores das festividades da Semana Santa em Sabara, a procissão acontece há mais de 200 anos. Os antigos diziam que Nossa Senhora das Dores caminhou ate o alto do morro onde encontrou Jesus, conta Valdivino Francisco, 63 anos, integrante da comissão que distribuía velas aos fiéis. Ninguém se arrisca a indicar uma data, mas uma matraca de 1816 e ainda em uso confirma que a tradição é centenária.

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