Via Sacra de Guignard não pertence à Arquidiocese do Rio
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Beatriz Coelho Silva 
Rio, 10 (AE) - O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, d. Eugenio Sales, divulgou nota hoje reconhecendo que a Via Sacra de Alberto Guignard, exposta no Museu Nacional de Belas Artes, na mostra retrospectiva do artista, não pertence à Arquidiocese. A obra, formada por 14 quadros de óleo sobre madeira, representando a Paixão de Cristo, foi feita para a capela São Daniel, em Manguinhos, na zona norte, e retirada de lá em meados dos anos 60, pela embaixatriz Elba Sette Câmara, que temia sua deterioração por causa do estado em que a igreja se encontrava.
Depois disso os 14 quadros foram dados como perdidos e reapareceram na mostra de Guignard (que estará no Museu de Arte de São Paulo a partir de junho), emprestadas pela embaixatriz do Brasil em Roma, Lúcia Flexa de Lima, e pelo banqueiro Antônio José Carneiro. Segundo Elba, as obras foram dadas a ela e a Lúcia pelo próprio Guignard e sua metade foi vendida a Carneiro no início dos anos 70. A Arquidiocese chegou a reinvindicar a posse da Via Sacra e ameaçou até com processo jucicial.
A nota, no entanto, esclarece que hoje d. Eugênio recebeu um documento datado de 1º de agosto de 1968, assinado pelo então arcebispo do Rio, cardeal dom Jaime Câmara e pelos monsenhores Francisco Bessa e Ivo Caliari e dirigido ao embaixador José Sette Câmara, que "esclarece definitivamente que as 14 telas representativas da Via Sacra, de Guignard, não pertendem à Arquidiocese."
Segundo historiadores de arte, Alberto Guignard não era religioso, mas considerou o convite para pintar a Via Sacra da capela, que tinha projeto de Oscar Niemeyer, uma compensação por não ter feito o mesmo na capela da Pampulha, em Belo Horizonte, um dos primeiros monumentos modernos do interior do País. O trabalho foi feito em 17 dias, durante os quais o pintor absteve-se de beber e ouviu "O Evangelho Segundo São Mateus", de Bach, para se inspirar.


