Via Campesina faz ato contra violência
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quinta-feira, 23 de março de 2006
Erika Zanon<br> Equipe da Folha 
Curitiba- O apoio às mulheres camponesas de Passo Fundo (RS), alvo de ações violentas praticadas por policiais civis e militares, no início desta semana, foi o motivo do protesto realizado ontem pela manhã por dezenas de integrantes do movimento Via Campesina no ExpoTrade, em Pinhais. No local, ocorre a 8 Conferência das Partes da Convenção Internacional da Diversidade Biológica (COP-8).
Os manifestantes pretendiam parar em frente à entrada principal do centro de eventos, onde o acesso só é permitido para participantes credenciados, mas foram barrados por policiais militares. O grupo foi escoltado até a saída do ExpoTrade.
O grupo demonstrou revolta pela ação violenta de busca e apreensão que sofreram as secretárias das Associações Estadual e Nacional de Mulheres Camponesas em Passo Fundo. Segundo integrantes da Via, na terça-feira, policiais armados invadiram o espaço das associações e renderam mulheres e crianças. ''Só depois eles apresentaram um mandato de busca que determinava somente a vistoria da associação. Porém, levaram computadores, documentos e dinheiro'', disse Tânia Aparecida de Souza, integrante do Movimento Mulher Camponesa (MMC).
Indignada com a atitude da polícia, a integrante da Associação de Mulheres Rurais e Indígenas do Chile, Francisca Rodrigues, afirmou que o movimento luta para ajudar a vida humana e defender seus direitos. ''É por isso que estamos reunidos''. O movimento considerou como uma clara violação dos direitos humanos o comportamento dos policiais.
Conforme informações extra-oficiais, a polícia do RS buscava supostas provas relacionadas às ações praticadas por 2 mil mulheres da Via, no dia 8 de março, contra as monoculturas da Aracruz Celulose. Integrantes do movimento, entretanto, afirmaram que as mulheres queriam apenas denunciar os crimes ambientais e sociais das empresas responsáveis pelo ''deserto verde''.
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do RS informou que foi instaurado inquérito policial para apurar as cirscuntâncias da ocupação na área e que não se manifestaria sobre a ação de busca e apreensão.
Quanto à ação dos PMs de Curitiba, que barraram os manifestantes da Via, o major Dabul informou que foi uma tentativa de organizar o protesto. ''Eles pretendiam passar pelo estacionamento e assim aconteceu. Nós apenas organizamos a manifestação'', disse.


