Londrina - "Hoje o caminho ainda é muito difícil para as mulheres que descobrem uma suspeita de câncer. Nestas horas, é uma corrida contra o tempo." A afirmação é da professora aposentada Ivany Gama Stratico, de 62 anos, referindo-se ao momento em que a mulher enfrenta o diagnóstico de câncer de mama. Ela passou pela experiência há 12 anos, foi submetida a uma quadrantectomia (cirurgia que remove o câncer, mas preserva a maior parte da mama) e por aproximadamente um ano fez sessões de quimioterapia e radioterapia. Ivany nunca teve casos de câncer de mama na família, nunca fumou, não bebe, e fazia mamografia anualmente, desde os 40 anos. "Não tinha sintoma nenhum, só senti uma pequena coceira no mamilo. Então resolvi antecipar a consulta anual ao médico. Os exames mostraram que o tumor já tinha uns oito meses", conta.
A professora defende que o atendimento seja facilitado, e não burocratizado, seja qual for a idade da mulher. "Durante o tratamento vi muitas mulheres novas, até com bebês, que tinham câncer." Para Ivany, também as campanhas de prevenção do câncer de mama têm que ser mais frequentes e mais realistas. "É tudo muito distante da realidade das mulheres, principalmente daquelas que dependem dos serviços públicos nos bairros. Muitas, até hoje, não sabem a importância dos exames preventivos e acham que nunca passarão por isso." Segundo a professora, a doença causou uma reviravolta em sua vida. "Passei a valorizar coisas que antes não existiam para mim, como os passeios. Hoje posso dizer que sou outra mulher."(S.L.)

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