Veto de Lerner mobiliza artistas de todo o Paraná
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2001
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
O veto do governador Jaime Lerner (PFL) à criação do Programa Estadual de Incentivo à Cultura (Lei do Mecenato), divulgado no sábado, tomou de surpresa a classe artística paranaense. Eles se reúnem hoje, às 18h30, no Auditório Brasílio Itiberê, anexo à sede da Secretaria de Estado da Cultura, para discutir quais as medidas a serem tomadas com esta decisão. O Palácio Iguaçu argumenta que o mecenato fere a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em contrapartida, a classe artística acena com as leis estaduais existentes em mais de dez Estados brasileiros.
A convocação para a reunião partiu do Fórum de Cultura do Paraná. Junto com Fórum das Entidades Culturais de Curitiba, ele está agregando interessados das diversas áreas afins, desde o Sindicato dos Artistas e Técnicos de Teatro até os bibliotecários e associações de amigos de museus, passando pelos departamentos de cultura das universidades e Centro de Letras do Paraná.
Esta será a primeira manifestação contrária ao veto e presume-se que outras virão pela frente, como deixou claro o presidente da Associação de Vídeo e Cinema do Paraná, Elói Pires Ferreira, que pretende marcar uma reunião também no início desta semana.
Esse descaso para a cultura é uma afronta, desabafou o cineasta. Aliás, o descaso é contínuo por parte das autoridades do Estado, em relação à cultura, acrescentou Ferreira. Para ele, o dinheiro negado aos projetos artísticos representa uma mixaria no contexto orçamentário estadual, mas que resultaria em grandes bens ao povo, ao contrário do que acontece com as verbas destinadas ao supérfluo.
O artista plástico Luiz Arthur Montes Ribeiro, representante do Fórum de Cultura do Paraná, disse que o governador se esqueceu que mais de 10 mil pessoas tiram seu sustento da cultura. Mais do que um veto, a decisão representa a não inserção dessas pessoas no contexto do trabalho. É um problema social, porque a cultura não representa simplesmente lazer. Ela é a grande geradora de empregos.
O deputado Angelo Vanhoni, que há anos vinha lutando para a criação da lei, classificou a medida do governo como uma atitude política o projeto não foi sancionado porque teve origem na oposição. O governador olhou o Angelo Vanhoni como seu adversário e não a cultura como um todo, acusou Vanhoni, que nas últimas eleições municipais por pouco não foi eleito prefeito de Curitiba sobre o candidato apoiado pelo governo, Cássio Taniguchi (PFL).


