Veteranos da Waffen SS letã promovem passeata
Veteranos da Waffen SS letã promovem passeata16/Mar, 14:09 Riga, 16 (AE-AP) - Apesar de críticas de grupos russos e judaicos, 300 veteranos da Waffen SS da Letônia promoveram hoje (16) uma passeata até um monumento da independência para homenagear com coroas de flores seus companheiros mortos na Segunda Guerra Mundial. A passeata anual que marca uma grande batalha entre a Waffen SS letã e o Exército Vermelho no dia de hoje em 1944, tem provocado uma chuva de protestos interna e externamente nos últimos dois anos. Partidários da Waffen SS da Letônia, também conhecida como Legião Letã, foi um exército de recrutados de linha de frente e não fez parte da regular SS - a força de elite de Adolf Hitler que promoveu execuções em massa no Holocausto. Os antigos soldados, a maioria hoje em seus 70 e 80 anos, dizem que não estavam fazendo uma declaração política - mas apenas lembrando cerca de 50 mil companheiros que morreram na luta - algo que não tiveram permissão de fazer durante 50 anos de regime soviético. "Não somos nazistas. Mas milhares de nossos camaradas perderam a vida lutando contra o terror vermelho. Por que não podemos relembrá- los?", afirmou Visvaldis Lacis, 76 anos, um dos organizadores do evento. Primeiro, os veteranos se concentraram numa igreja para cantar e rezar antes de dar início à lenta passeata pelas ruas da cidade e colocar coroas de flores nas proximidades do momumento da independência. Alguns veteranos seguravam flores ou carregavam bandeiras da Letônia. Dois levavam bandeiras marrom e brancas da Waffen SS letã com as inscrições "a 19ª divisão" e "15ª divisão"; não havia insígnias nazistas à vista. Muitos letãos aceitam as garantias dos veteranos de que eles não são pró-nazistas e que querem apenas lembrar colegas que morreram nos campos de batalha. Alguns pedestres aplaudiam enquanto a passeata passava e gritavam: "Longa vida à Letônia livre!". Mas outros transeuntes, especialmente membros da minoria de fala russa de um milhão de pessoas da ex-república soviética, vaiavam ou cantavam hinos de guerra soviéticos enquanto a marcha passava. "Isto é imperdoável", afirmou a russa étnica Nina Noshina, de 78 anos. "Esses homens fizeram parte do exército fascista de Hitler. Por que a Letônia homenageia fascistas enquanto eles são condenados no mundo todo?". Muitos russos reclamam que a manifestação é um desrespeito aos mais de 25 milhões de sovéticos mortos na guerra, enquanto membros da comunidade judaica, que tem 11 mil integrantes, afirmam que a passeata é uma ofensa à memória de 80 mil judeus-letãos massacrados durante a ocupação nazista de 1941 a 1944. "Esses homens foram ajudantes de Hitler e lutaram a favor dos alemães, e não por uma Letônia livre", disse Alexander Bergman, um sobrevivente do Holocausto de 74 anos. "Além do mais, todo mundo sabia o que os nazistas estavam fazendo aqui. Não era segredo".





