São Paulo, 07 (AE) - Na Universidade de São Paulo (USP) os novos alunos que fizeram hoje as matrículas foram recebidos pelos veteranos com tintas e simpatia. Nada de humilhações, coações ou violência. "Todos falavam que o trote era barra pesada e estava um pouco assustado, mas fui muito bem recebido"
confessou o calouro Ivan Amaral, de 18 anos, todo pintado, aprovado no curso de turismo.
A Lei 10.454, sancionada no mês passado pelo governador Mário Covas (PSDB), proibiu os trotes violentos em universidades estaduais. "Antes de pintar os colegas nos apresentamos, perguntamos seus nomes e se eles aceitam o trote", explicou o estudante Danilo Nicolaidis Pinto, de 19 anos, integrante do Centro Acadêmico (CA). "Entre umas 200 só 2 pessoas pediram para não ser pintadas e nós respeitamos", contou a veterana Érica Smith, de 18 anos, estudante de relações públicas.
"Para ser sincero, estou adorando que me pintem, lutei muito para entrar na USP e acho que o trote faz parte da comemoração", comentou Gabriel Milanez, que pretende cursar publicidade. Ao lado do rapaz, sua mãe, a psicóloga Maria Isabel Milanez, de 49 anos, só lamentava não ter levado a máquina para fotografar o filho, todo pintado. "Trote tem de ter mesmo esse clima de brincadeira, de descontração e deve também oferecer atividades educativas", comentou.
Para os próximos dias estão previstas palestras, festas, churrasco e gincana para facilitar a integração entre os alunos. Camiseta - Na Faculdade de Medicina da universidade, a recepção dos 232 calouros que estiveram no prédio para fazer a matrícula, na Avenida Doutor Arnaldo, em Pinheiros, foi marcada pela cordialidade. No ano passado, o corpo do calouro da instituição Edison Tsung Chi Hsueh, aprovado no curso de medicina, foi encontrado no fundo da piscina, após um churrasco, organizado pelos colegas.
Estudantes com camisetas vermelhas, com a inscrição "Sou veterano. Seja bem-vindo calouro do ano 2000", mostravam as dependências da escola, cantinas, salas e quadras esportivas e entregavam uma carta de boas-vindas. Antes de pintar os novos alunos ou raspar os cabelos dos rapazes, os veteranos também se apresentavam e perguntavam se os novatos gostariam de participar da brincadeira.