São Paulo, 28(AE) - Exigência e alto consumo estão abalando as estruturas das fábricas que produzem meias-calças. Os maiores fabricantes do país se debruçam em pesquisas, investem em equipamentos de última geração, tentando chegar na frente, oferecendo novidades que vão de meias hidratadas a ondas micromagnetizantes - estimulando a circulação. O segmento movimentou R$ 700 milhões em 1998 e a projeção é atingir R$ 850 milhões neste ano, com produção estimada de 14 milhões de dúzias ante os 12 milhões de dúzias no ano passado.
A tendência de aumento de demanda persiste, analisa Carolina Sister, Gerente de Contas de Meias, da DuPont Brasil. E acrescenta: "Trata-se do segmento da DuPont mais rentável no mundo." O otimismo de Carolina é fundamentando no baixo consumo per capita da mulher brasileira. Enquanto a européia consome 18 pares de meias calças/ano a brasileira não ultrapassa 3 pares/ano, perdendo também para a argentina e colombiana, que compram 9 pares e 12 pares/ano, respectivamente. O perfil da consumidora está mudando, explica Carolina. As vendas que se concentravam apenas no inverno começam a inverter-se. "Cerca de 40% estão sendo realizadas no verão", afirma. Matéria-prima - Na outra ponta, a matéria-prima vem recebendo a mesma atenção dispensada pelos fabricantes de meias. A DuPont, maior fornecedora mundial de fios de lycra para o setor, também se adiantou. Numa pesquisa inédita, consultou 85 mil mulheres, em todo mundo, decifrando gostos. Tabulado o resultado, detectou-se que as exigências das mulheres têm três pontos em comum - conforto, liberdade de movimento e bom caimento.
A empresa desembolsou US$ 60 milhões em marketing, contemplando o Brasil com US$ 15 milhões para mostrar que seus fios permitem as meias atender a esses quesitos. Para o ano seguinte a cifra quase dobra. "A programação é da ordem de US$ 26 milhões", afirma Carolina. Segundo Carolina, a DuPont investe cerca de US$ 1 bilhão/ano em pesquisas e desenvolvimento.
Os negócios avançam em alta velocidade. O presidente do grupo para a América Latina, Henrique Ubrig, já anunciou que nas próximas semanas a DuPont vai anunciar um grande investimento no setor têxtil no Brasil. Um diretor do grupo adiantou que o segmento de nylon absorverá parte do desembolso.
Em entrevista à editora Regina Cardeal em Wilmington, Estado de Delaware (EUA), sede da DuPont, Ubrig revelou que o grupo projeta investimentos de US$ 100 milhões para o próximo ano no país. Segundo uma outra fonte, a DuPont construirá, em 2000, uma segunda fábrica, em Paulínia, interior do Estado de São Paulo, também para produzir fios.
Exportação - As meias brasileiras já começam a se destacar pela qualidade e diversificação lá fora. A Lupo S/A, líder de mercado de meias e fabricante da Loba, acaba de selar um "grande negócio com uma rede varejista norte-americana de grande porte". Valquírio Ferreira Cabral Júnior, diretor comercial, conta que o grande trunfo é que as meias serão comercializadas na rede Norestrom, com a marca Lupo. "Para o ano 2000 estaremos fechando com outras cadeias", adianta.
A Loba responde por mais de 50% da receita da Lupo estimada em R$ 100 milhões neste ano. Em 1998 o faturamento foi de R$ 85 milhões. A produção está projetada em 60 milhões de pares de meia/ano. A empresa produz também cuecas e a linha de meias infantil, masculina e soquete.
"Nos últimos quatro anos o investimento somou US$ 20 milhões em equipamentos", afirma Ferreira Cabral. No próximo ano a Lupo vai desembolsar mais US$ 4 milhões na aquisição de tecnologia. Modelos - Se até cinco anos atrás a consumidora brasileira contava apenas com sete tipos diferentes de meias -calças, hoje já são mais de 200 modelos diferentes. "Só neste ano serão 40 novos lançamentos. Em 1998 somaram 25", contabiliza Carolina.
Segundo ela, cerca de 70% dos equipamentos comprados pelas indústrias brasileiras vêm da Itália. "A tecnologia italiana é muito avançada", acrescenta. O avanço tecnológico e a imaginação estão permitindo aos fabricantes brasileiros incrementar cada vez mais este mercado.
A Selene Indústria Têxtil S/A, entre as dez maiores do setor, investiu US$ 2 milhões neste ano em equipamentos e lançamentos. A coleção Primavera/Verão estará no mercado em outubro. São quatro modelos: meias com três pernas, pronta para uma emergência, com abertura entre pernas, com concentração de ondas micromagnetizantes e revitalizantes com hidratantes.
"As vendas nos primeiros oito meses do ano subiram 30% em comparação ao mesmo período do ano passado", comemora Gregório De Nadai Filho, diretor presidente. Embora não divulgue faturamento, ele garante que mais da metade é proveniente do segmento de meias. A Selene fabrica ainda tecidos planos, meias na linha infantil, masculinas e soquetes. Cerca de 7% da receita vêm das exportações para o Mercosul.

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