Vestibular perdeu caráter democrático, diz ministro
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sábado, 28 de agosto de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 29 (AE) - O empenho do Ministério da Educação em criar alternativas ao vestibular, segundo o ministro da Educação
Paulo Renato Souza, deve-se à "perda do caráter democrático" do exame. "Com o tempo, o vestibular foi perdendo as características democratizantes", disse ele em São Paulo, antes do início do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Para ele, o vestibular foi-se tornando uma "prova de macetes", que não privilegia conhecimentos adquiridos ao longo da vida das pessoas, seja no trabalho ou em sala de aula. Com isso, candidatos de maior poder aquisitivo, estudantes de escolas particulares, que têm condições financeiras para pagar cursos preparatórios acabam ocupando a maioria das vagas das universidades públicas.
Como o Enem é uma prova que exige conhecimentos gerais, reduz o abismo de conhecimentos existente entre estudantes das redes pública e privada. Além disso, como lembra Maria Helena Guimarães, presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep), esta é a primeira vez que alunos de todo o País, incluindo as regiões mais pobres, têm a oportunidade de fazer um exame nacional que conta ponto para a primeira fase do vestibular das universidades mais procuradas do Brasil.
"Se um aluno do Acre for bem na prova, ele pode utilizar essa pontuação na primeira fase doi vestibular da USP (Universidade de São Paulo)", diz ela.


