Vésper reduz preço da linha de R$ 597 para R$ 99
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 17 (AE) - A Vésper-São Paulo, empresa de telefonia fixa que faz concorrência à Telefônica no Estado, anunciou hoje a redução de 83,4% no preço da linha, que passou de R$ 597 para R$ 99. Esse valor pode ainda ser parcelado em três vezes e é válido nos 15 municípios onde a Vésper-SP já iniciou operações. Os primeiros clientes da empresa terão reembolso integral do valor pago, mas não existem dados oficiais de quantos são esses consumidores. A informação que circula no mercado é que a Vésper-SP teria apenas 192 assinantes, mas o presidente da empresa, Virgílio Freire, contesta. "Não tem fundamento", disse.
A decisão de baixar tão drasticamente o preço foi tomada em menos de um mês de operações. "Estamos sendo bastante agressivos", declarou Freire. Ele justificou que a decisão é decorrência da agilidade com que a Telefônica vem instalando novas linhas ao preço de R$ 75, mais custos de instalação. A Telefônica não quis se pronunciar sobre a estratégia da Vésper-SP.
"A concorrência está instalando novos telefones bastante rápido, reduzindo a demanda", disse Freire. "Então, precisamos agir rápido também", afirmou. Ele estimava a demanda reprimida na Grande São Paulo em 1,5 milhão quando lançou a Vésper-SP, em 24 de janeiro. "Agora deve estar em um milhão", declarou.
Freire argumenta que a estratégia inicial de preços altos era uma forma de evitar filas e uma demanda acima da capacidade de atendimento da nova empresa, que agora conta com mais de mil funcionários. A Vésper-SP promete instalar um telefone em apenas cinco dias. O prazo médio da Telefônica tem sido estimado em seis meses.
Para Freire, o negócio de concorrer com uma empresa estabelecida há muitas décadas continua viável. "Além da demanda reprimida, há a que pode ser estimulada", disse. Ele acredita que com a popularização da marca Vésper vai surgir a necessidade de uma segunda linha para os filhos adolescentes e profissionais liberais.
"Quando existe um monopólio e surge uma segunda empresa
o mercado cresce", afirmou. Ele aposta também que o novo preço vai dificultar a sobrevida do mercado paralelo de telefones, que chegava a negociar linhas até mais baratas que as da Vésper-SP.
O presidente da Vésper-SP descartou que a nova tecnologia - a do telefone fixo sem fio (Wireless Local Loop, WLL) - seja um inibidor para novos assinantes. Para ele, tampouco a dificuldade em acessar a Internet com uma linha WLL tem sido um obstáculo comercial. "O usuário quer a telefonia básica", declarou, apresentando dados de que apenas entre 2% e 3% dos domicílios da Capital têm acesso à Internet.
"O mercado tem dado sinais de que estava esperando uma empresa com qualidade, mas também queria preço reduzido", afirmou o presidente da Vésper-SP. "Agora tiramos a única grande barreira", disse. O lançamento da Vésper-SP foi em Campinas, com o preço de R$ 387, dividido em três vezes. Na Grande São Paulo, Capital e São José dos Campos, o preço era de R$ 597, também em três parcelas.
À época do lançamento, Freire afirmou que a estação terminal do assinante (ETA) - que recebe os sinais da ligação, mas não é o aparelho telefônico - estava sendo fortemente subsidiada pela empresa. Ele mantém essa posição, dizendo que a ETA custa R$ 1.200. "Isso mostra que temos uma visão de longo prazo", declarou. Ele não conta com retorno imediato do investimento de US$ 1 bilhão, sendo US$ 400 milhões em 1999, US$ 300 milhões este ano e outros US$ 300 milhões para 2001.
A Vésper-SP decidiu também passar a atender os interessados em linhas telefônicas pelo call center e não mais por cupons enviados pelo Correio. Segundo Freire, até hoje houve milhares de interessados, metade via Internet, metade pelo Correio. O pacote da linha Vésper inclui o aparelho telefônico, a ETA, os fios necessários à instalação de uma extensão, a mão-de-obra e os serviços de secretária-eletrônica e chamada em espera.


