Vertigem repentinas, desequilíbrio, náusea, ansiedade e sensação de mal-estar devido aos sinais de equilíbrio distorcidos que o cérebro recebe do ouvido. Esses são os principais sintomas da labirintite, um processo inflamatório que afeta os labirintos, os quais abrigam o sistema vestibular no ouvido interno. No final de junho, a jornalista Fátima Bernardes, que apresenta o Jornal Nacional ao lado do marido (Willian Bonner), sentiu-se mal e teve de deixar o programa pela metade por conta de vertigens que os médicos diagnosticaram como labirintite. Alterações mais severas do labirinto são capazes de provocar transtornos pessoais mais intensos que ausências temporárias do trabalho.
O representante comercial Werton Pereira, 36 anos, conta que perdeu o emprego por causa das vertigens. ''Minha vida virou uma bagunça. Imagine ter de fazer tudo com tonturas e enjôos? Você não pode dirigir, tem medo de cair a todo momento. Fica depressivo'', diz.
Segundo o médico Marco Aurélio Bottino, diretor do serviço de otoneurologia do Hospital das Clínicas, cerca de 25% dos indivíduos que procuram um clínico geral apresentam tonturas. É a segunda maior queixa entre os pacientes, perdendo só para as dores de cabeça. ''É um sintoma, não a doença. O importante é encontrar a causa. Para isso, é indicado fazer o exame otoneurológico, que investiga o sistema vestibular, uma porção do labirinto.Vários fatores podem desencadear alterações: tumores, infecções e até alguns antibióticos. Às vezes, os danos são sérios e irreversíveis, podendo levar à perda da audição.''
Um estudo da Unifesp com 1.500 pacientes apurou que a labirintopatia mais comum é um gênero chamado vertigem postural paroxística benigna (VPPB), que representa 20% dos casos. Trata-se da tontura que só aparece quando a cabeça do paciente está em uma determinada posição. Em segundo lugar vem a moléstia de Menière, com 18%. ''É uma doença crônica, caracterizada pelo aumento de pressão nos líquidos do labirinto'', detalha Bottino.
Problemas metabólicos - como diabetes, alterações da tireóide e hipertensão - desencadeiam 15% das labirintopatias. Para tratá-las, o sistema público de saúde já dispõe de tratamentos específicos. Só na Unifesp, há três ambulatórios de otoneurologia. ''Atendemos perto de 60 pacientes por semana, entre consultas e reabilitação'', relata a médica Adriana Chaves, mestre em otoneurologia.
O tratamento das labirintopatias compreende várias fases. Além de usar medicação adequada, é preciso alterar hábitos alimentares. ''Café, chá, excesso de açúcar, cigarro e álcool funcionam como irritantes do labirinto e devem ser evitados'', aconselha Adriana. ''Há também um tipo de fisioterapia específica, conhecida como reabilitação vestibular, que pode ajudar a tratar labirintopatias. Ela compreende uma série de exercícios de rotação, flexão e movimentação corporal que estimulam o labirinto. Os últimos degraus são os medicamentos intra-timpânicos, aplicados dentro do ouvido, e cirurgia'', finaliza a médica.

LABIRINTO - Ou ouvido interno. É um órgão que congrega as funções de audição e de equilíbrio do corpo.

LABIRINTITE - Termo usado para designar, popularmente, as várias doenças do labirinto. É correto chamá-las de labirintopatias. Labirintite se refere só à infecção por bactéria ou vírus. Quase 85% das tonturas se devem a problemas no labirinto.

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