Vertigem é fator de queda dos idosos
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domingo, 27 de setembro de 2009
Agência Estado 
Cair não é mero acidente quando se tem mais de 60 anos. ''Para essa população, a queda é um marcador de saúde'', diz o médico Fernando Ganança, professor de otoneurologia da Universidade Federal de São Paulo e um dos coordenadores da Campanha de Prevenção às Quedas na Terceira Idade, promovida pela Sociedade Brasileira de Otologia (SBO). ''Quanto mais velha a pessoa, mais chance ela tem de sofrer problemas no sistema vestibular, que controla o equilíbrio. O envelhecimento também costuma trazer enfraquecimento muscular e redução da força.''
Um estudo inédito da SBO com 323 idosos que se queixavam de tontura mostra o quanto esse sintoma pode interferir na ocorrência das quedas. ''Cerca de 70% dos pacientes apresentavam vertigem, também chamada de tontura rotatória, e 51,5% deles relataram quadros de queda recorrente - com dois ou mais episódios'', explica Ganança. Segundo o médico, existem mais de 300 causas possíveis para uma tontura. ''Elas vão de problemas vasculares a doenças próprias do labirinto'', completa.
Ganança indica o tratamento à base de fisioterapia para a reabilitação da força e do equilíbrio. ''Há uma lenda de que a pessoa com distúrbios do labirinto tem de ficar deitada, em um quarto escuro, e por causa disso o idoso muitas vezes deixa de sair de casa. Na verdade, ele deve ter atividades, estimular o labirinto'', recomenda. ''Não adianta tomar remédios, já que muitos inibem o labirinto, prejudicando ainda mais os reflexos.''
A debilidade física trazida pelo tempo aliada a ambientes despreparados para o idoso podem fazer de sua própria casa um ambiente perigoso. ''Metade deles cai em ambiente doméstico'', reforça Ganança. Foi assim com Aparecida de Freitas, 77, que tem Alzheimer. ''Sofreu três quedas, uma por ano, todas com fratura de nariz'', diz o filho dela, o analista de sistemas Rodrigo de Freitas, de 31.
Segundo Freitas, cada queda de Aparecida custou até três meses de recuperação. ''Da última vez ela quebrou também o quadril'', lembra. Para evitar novos episódios, ele equipou a residência com barras de segurança. ''Demos atenção especial ao banheiro, o local das três quedas. É bom ter uma cadeira no box para o banho'', ensina.
Na avaliação do ortopedista Miguel Akkari, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, frequentemente um tombo tem consequências desastrosas. ''O Ministério da Saúde estima que 12% das mortes em idosos no Brasil sejam decorrentes das quedas ou estejam associadas a elas. A queda é também a principal causa de morte por trauma na velhice. Em outros casos surgem complicações, sobretudo fraturas.''
Akkari explica que as mulheres estão mais expostas às fraturas na terceira idade. ''As estatísticas chamam a atenção para elas, o que é fácil de entender, já que normalmente vivem mais do que eles. Além disso, as mulheres são as principais vítimas da osteoporose, que compromete os ossos. É recomendável que comecem a se preocupar com a osteoporose já a partir dos 45, com exames preventivos.''
Para Akkari, a vaidade feminina também pode predispor a episódios de queda. ''A vovó adora o saltinho, mas é perigoso. A idade pede um calçado com aderência. Barras de roupa muito longas também são inadequadas. Obstáculos aparentemente simples podem se tornar vilões para o idoso.''
Segundo o médico, ombros, punhos e fêmur são as regiões mais afetadas na velhice durante as quedas. ''O problema é que nesse paciente, já fragilizado pela idade, a fratura pode ter desdobramentos importantes, como uma trombose'', completa.


