São Paulo, 26 (AE) - A decisão judicial que mantém o prefeito Celso Pitta (PTN) no cargo de prefeito recoloca os vereadores no centro das atenções de quem quer o economista longe do Palácio das Indústrias. Vereadores de diversos partidos avaliaram hoje que a abertura de uma comissão processante para avaliar o impeachment do prefeito tornou-se ainda mais inevitável: com Pitta afastado, a urgência de uma ação era menor. Enquanto a Justiça afasta e recoloca o prefeito, a decisão no Viaduto Jacareí deve ser de mão única: ou fica ou sai
sem meio-termo.
O líder do PSDB na Câmara, Dalton Silvano, disse hoje que os desencontros das decisões judiciais estão deixando o cidadão confuso. "Havia uma liminar baseada em fatos concretos e apenas um juiz acaba revogando", criticou. Sua avaliação é baseada nas pesquisas que mostram a rejeição maciça de Pitta pela população. "A nova decisão da Justiça faz São Paulo ficar na mão de um prefeito totalmente desacreditado", disse hoje. "No final quem sai prejudicado é o sentimento da população, que quer o prefeito fora." Os partidos de oposição ainda defendem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de Nicéa Pitta não só contra o prefeito, mas também contra os vereadores da situação. Antenados, porém, com essa avaliação popular, vereadores do PT e PSDB passam a colocar a comissão processante com mais ênfase e frequência em pauta.
"A decisão da Justiça acentua a situação de ingovernabilidade de São Paulo", afirmou hoje o líder do PT na Câmara, José Eduardo Martins Cardozo. "Essa incerteza e paralisia reforça a necessidade impeachment." Para Cardozo, os holofotes agora tendem a se voltar novamente para a Câmara. "Houve uma reversão da expectativa da opinião pública, que estava aliviada com o afastamento do prefeito e agora pode aumentar a pressão da sociedade sobre os vereadores." O vereador Miguel Colasuonno (PMDB) disse que a volta de Pitta ao cargo traz a ele um "pequeno alívio". "Ficando, ele ganhou alguns pontos políticos", afirmou. Mas a avaliação do vereador também é a de que o problema para a Câmara foi agravado. "A nossa responsabilidade aumentou", disse Colasuonno.
O vereador é favorável à abertura de comissão processante, que tem mais um motivo forte para ser aberta: o caso do empréstimo de Jorge Yunes a Pitta tornou-se prioritário. Em seguida vêm as denúncias de Nicéa Pitta e o pedido encaminhado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
União - A bancada do PMDB tem realizado sucessivas reuniões para decidir unida os rumos do Executivo paulistano. "Estamos conversando e a vontade da maioria será respeitada por todos", disse o líder do PMDB na Câmara, Jooji Hato.
Nos bastidores, peemedebistas comentam que a tendência do partido será por uma votação favorável ao processo de impeachment do prefeito. Um integrante do partido que pediu para não ser identificado lembrou que vários vereadores estão entrando em processo eleitoral e desejam manter as atenções longe do Palácio Anchieta, sede do legislativo paulistano.
Outro partido que deve engrossar a votação pelo impeachment é o PTB. No fim de semana, os integrantes da legenda estiveram reunidos e confirmaram a disposição de votar pelo afastamento do prefeito. "Há uma semana já havíamos decidido acolher o relatório da OAB", disse o vereador Paulo Frange (PTB).
O presidente da secção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Approbato Machado, confirmou que o pedido de impeachment de Pitta será entregue na terça, na Câmara Municipal. A decisão judicial de ontem não o surpreendeu. "Já tinha previsto essa decisão, conforme opinião publicada pelo próprio jornal", disse. "Isso acontece em qualquer medida cautelar", acrescentou.