Vereadores trocam acusações na Câmara de Osasco2/Mar, 21:43 Por Alceu Luís Castilho Osasco, SP, 02 (AE) - O plenário da Câmara Municipal de Osasco na Grande São Paulo, foi palco hoje de acusações mútuas de corrupção e outros crimes entre dois vereadores da Casa. O ex-presidente da Câmara Dionísio Mateos Filho (PDT) acusou a vereadora Maria Coluna (PPS) de fazer contrabando no Paraguai com o carro oficial. "Muambeira", gritava ele, com o dedo em riste, durante a sessão no plenário. Igualmente exaltada, Maria Coluna devolveu a acusação de contrabando e ainda declarou ao público que Mateos "embolsou" R$ 387.000 da Câmara em dezembro de 1996. A exemplo das últimas sessões, Maria Coluna estava vestida de preto. "De luto, pela dor que sinto por esses R$ 387.000 terem sido desviados para um jornal que ninguém viu", disse. Ela se refere a um encarte publicado em 1996 no Diário de Osasco, com a autorização de Mateos. Coluna é uma dos cinco vereadores que assinaram um pedido de CPI na Câmara para apurar irregularidades nos gastos com a imprensa oficial. Enquanto falava ao microfone, Mateos começou a fazer apartes. Após ele pedir ao presidente da Casa, José Amando Mota (PFL), a relação dos gastos telefônicos em 1995 e 1996, Coluna fez um mea culpa sobre gastos com ligações para os Estados Unidos. "Minha filha estava doente, por isso liguei", disse. Mateos retrucou: "A senhora não podia ter feito isso nas 23 horas diárias que a senhora não fica na Câmara?" Coluna partiu para o contra-ataque e os vereadores quase se engalfinharam. O filho de Coluna, Antonio Carlos, estava presente e disse que ela foi ameaçada por Mateos. Ela disse que não escutou nenhuma ameaça. "Vossa Excelência embolsou R$ 387.000", disse a vereadora. "Vossa Excelência pegou o cheque e embolsou o dinheiro." Mateos a classificou de "muambeira" e, olhando para quem assistia à sessão, contou que ela foi a Foz do Iguaçu com carro oficial para fazer contrabando. "Todo ano ela ia e trazia uns brinquedinhos do Paraguai", disse ele à Agência Estado. Coluna afirmou que estava em um congresso em Foz e disse que foi, sim, a única a utilizar carro da Câmara. "Os senhores foram de avião", afirmou. A partir de um momento da discussão, os microfones dos vereadores foram desligados. As acusações continuaram mesmo assim. Mateos estava com os olhos marejados. A platéia protestou contra a falta de som. Antonio Carlos Coluna quase brigou com o funcionário da prefeitura Luiz Carlos dos Santos, que assistia a tudo com um nariz de palhaço, vermelho, e queria que o debate prosseguisse. "Pelo que a gente vê o negócio é grave", disse Santos. "Que parta uma CPI daqueles que não devem nada, mas parece que todos devem." Quando Maria Coluna e Mateos Filho finalmente ficaram quietos, a sessão foi reiniciada. O vereador Paulo Sartori (PTB), o "Papau", tomou a palavra e procurou diminuir a importância do que ocorrera. Ele afirmou que a única coisa "concreta" que existe contra os vereadores da cidade é a ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual por causa de um suposto desvio de função no caso da impressão de outro jornal de divulgação. Vinte dos 21 vereadores da cidade são citados na ação. A exceção é Maria Coluna, que estava na suplência. Os demais vereadores, entre eles Marcos Lopes (PT), um dos que assinaram o pedido de CPI, continuaram a sessão como se nada tivesse ocorrido. O presidente José Amando Mota disse que vai encaminhar o conteúdo da sessão à assessoria jurídica, para decidir então se abre sindicâncias sobre cada uma das acusações, que ele considerou "gravísimas". Mota disse que já há um consenso na Casa a favor de uma CPI para apurar gastos com publicações oficiais. Na prática, porém, não há ainda um pedido de abertura, que depende de sete assinaturas para ser votado. A AE apurou que, com a proliferação de acusações contra os 21 vereadoes, a tendência entre eles é concentrar a responsabilidade por irregularidades nas costas de Mateos Filho. Maria Coluna, por sua vez, estava sendo criticada por ser a única vereadora da situação a assinar o pedido encaminhado por Sônia Rainho (PT). A cena de hoje pode ter sido uma briga entre desesperados.