Avaré, SP, 03 (AE) - A Câmara de Avaré (SP) afastou por 90 dias os vereadores Rogélio Barchetti e Marialva Biazon, ambos do PSDB, acusados pelo prefeito Joselyr Benedicto Silvestre (PPB) de terem faltado com o decoro parlamentar. O afastamento, aprovado por 11 votos contra três, estabelece que no período de suspensão dos acusados haja a apuração dos fatos e, se comprovados, a cassação de seus mandatos.
O prefeito sentiu-se ofendido porque na sessão do dia 25 de outubro Barchetti afirmou que existem em tramitação mais de 40 processos contra a atual administração municipal e isso demonstra que o prefeito não é idôneo. E Marialva Biazon, discursando sobre irregularidades no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de funcionários municipal, referiu-se ao prefeito como "ladrão dos funcionários".
Os dois punidos vêem na medida perseguição política e pessoal do prefeito. Marialva se diz vítima de discriminação "sexual, racial e religiosa", pois é a primeira mulher negra a exercer a vereança e, além disso, é evangélica. Ambos estão em entendimentos com o diretório estadual do PSDB, a quem foram pedir apoio jurídico para recorrer à justiça. Barchetti disse hoje que está recolhendo os documentos necessários e, nos próximos dias, tentará a liminar para reverter a decisão.
Desde que assumiu a Prefeitura, Joselyr Silvestre tem divergências com os políticos tradicionais de Avaré. Um dos motivos está na sua origem política. Ele governou por dois mandatos o pequeno município de Arandu, um ex-distrito de Avaré, distante 12 quilômetros, e, nas últimas eleições, valendo-se de um parecer de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, conseguiu transferir seu domicílio eleitoral para Avaré e continuar exercendo o mandato de prefeito na cidade vizinha. Ganhou dos políticos tradicionais e hoje é por eles contestado, ao fazer um governo populista.

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