Vereadores reúnem-se no banheiro para impedir recuo de Bezerra
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 13 (AE) - Parlamentares da oposição e governistas favoráveis ao início do processo de impeachment contra o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), reuniram-se hoje até no banheiro do oitavo andar da Câmara Municipal para impedir que o vereador Natalício Bezerra (PTB) recuasse da decisão de votar a favor da admissão da denúncia feita pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Bezerra deixou a última reunião para ir ao banheiro e, preocupados com a possibilidade de o parlamentar deixar o prédio
o líder do PTB, José Amorim, e os vereadores Toninho Paiva (PFL), Bruno Feder (PTB), Gílson Barreto (PSDB) e Dalton Silvano (PSDB) seguiram-no para evitar uma atitude que poderia dar a vitória ao Executivo.
"Ele está muito pressionado, mas vai manter a posição"
disse Feder, ao deixar o banheiro. Bezerra não admitiu, mas pensou várias vezes em alterar o voto e deixou os governistas e as oposições favoráveis ao impeachment tensos até o momento no qual rejeitou o parecer do relator da comissão, Brasil Vita (PPB), e votou favoravelmente à admissão da denúncia proposta no voto divergente das esquerdas.
Bezerra atrasou-se cerca de 20 minutos em relação ao horário marcado para o início da reunião de hoje. Depois de alguns minutos, disse algumas palavras reservadas ao presidente da comissão, vereador Wadih Mutran (PPB), e deixou a sala com ele.
Os vereadores de oposição, Feder e Amorim acompanharam rapidamente os dois. Eles ficaram conversando por quase 50 minutos na sala interna da presidência da Câmara, período no qual as facções pró e contra o início do processo de impeachment tentaram influenciar o voto de Bezerra.
De acordo com vereadores governistas que acompanharam a conversa, parlamentares do PMDB tentaram convencer o petebista a alterar o voto. Eles argumentaram que a eventual abertura de um processo de impeachment beneficiaria eleitoralmente somente o PT e o PMDB.
Um vereador do PPB e outro do PMDB, que pediram para não ter os nomes revelados, asseguraram que Bezerra se reuniu com Pitta, no Palácio das Indústrias, horas antes do início da reunião.
O petebista negou qualquer reunião ou conversa com o prefeito. A pedido dos vereadores governistas da comissão especial de impeachment, a Assessoria Militar da Câmara cercou a mesa ocupada pelos parlamentares com grades de ferro. Bezerra deixou a sala imediatamente após o término da reunião, sem falar com os jornalistas.
Ele usou o elevador privativo para ir até o terceiro nível de garagem do prédio da Câmara. Antes de entrar no carro, acompanhado por Feder e Amorim, Bezerra concedeu a seguinte entrevista: Pergunta - O sr. falou anteriormente que os taxistas poderiam sofrer represálias do Executivo, caso o sr. votasse a favor da abertura do processo de impeachment contra o prefeito? Natalício Bezerra - Não acredito nisso. O prefeito Celso Pitta é um homem sensível, entenderá a minha situação e porque eu agi dessa forma. Pergunta - O vereador Wadih Mutran e o sr. conversaram por vários minutos logo após o início da reunião, numa sala reservada da presidência da Câmara. Ele pressionou-o? Bezerra - Foi uma conversa amigável. Pergunta - As várias mudanças de posição do sr. não ocorreram por causa das pressões sofridas nos últimos dias? Bezerra - Isso ocorreu porque vocês, jornalistas, deixam a gente louca com esse monte de perguntas, principalmente eu, um jovem de 65 anos de idade. Na verdade, eu já havia decidido votar pela admissão da denúncia da OAB e fiz isso de propósito...Hoje, eu pedi desculpas à população de São Paulo por isso. Pergunta - Como o sr. se sente sendo responsável pela aceitação da denúncia contra o prefeito? Bezerra - A responsabilidade não é só minha, mas de todos que votaram a favor da admissão. Pergunta - Um vereador do PPB e outro do PMDB garantiram que o sr. reuniu-se hoje de manhã com o prefeito, no Palácio das Indústrias. Ele tentou alterar o o voto? Bezerra - Não tive reunião alguma com o prefeito. Nem falo com ele, normalmente. Também não sofri pressão alguma. Agora, vou para casa e depois, à tarde, estarei no plenário.


