Andradina, SP, 24 (AE) - Os vereadores de Andradina decidiram apoiar os mutuários do maior conjunto habitacional da cidade, com 999 casas, que, inadimplentes há mais de um ano, dizem que é preciso investigar os custos de construção antes de aceitar o valor das prestações.
Durante sessão ontem (23), o vereador Jamil Ono (PSDB) disse que a Companhia Regional de Habitação de Interesse Social -Crhis
empresa que obteve financiamento da Caixa Econômica Federal para construção do conjunto, superfaturou o preço do terreno. Segundo Ono, foram adquiridos 47,5 hectares, porém utilizados efetivamente apenas 37 hectares. A compra foi no ano de 91 e custou Crz$ 96 milhões.
Em valores atualizados, Ono disse que os mutuários pagam em média R$ 100,00 por mês num financiamento de 25 anos. Pelos cálculos do vereador, as casas que podem ser construídas com R$ 5 mil serão quitadas após pagamento de R$ 25 mil à companhia.
O vereador Nelson Amorim (PFL) disse que exigir pagamento de mensalidades tão altas é " um atentado aos direitos humanos". Amorim defendeu a formação de uma comissão para estudar o assunto, com representação de todos os partidos políticos.
O presidente da Companhia de Habitação, Antônio Barreto dos Santos, disse hoje que os vereadores de Andradina estão mal informados. "Não fomos nós quem elaboramos os cálculos do sistema de financiamento habitacional", disse Barreto.
Ele também negou que o terreno tivesse sido superfaturado e disse que foi a companhia que comprou e pagou os 10 hectares adjacentes ao conjunto. O único acréscimo, afirma, foram os R$ 50 mil gastos há dois anos para perfurar dois poços semi-artezianos e garantir o abastecimento de água dos moradores. O presidente da companhia disse que o município havia garantido a infra-estrutura de água e esgoto, que acabou não acontecendo. Até hoje há problemas de esgoto correndo pelas ruas do bairro. Barreto dos Santos afirmou ainda que as ações de despejo serão propostas sem interrupção. Segundo ele o valor médio das mensalidades para casas de três dormitórios é R$ 75,00 e dois domitórios R$ 65,00. "Nós não consideramos esses valores absurdos", justificou o presidente.

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