Curitiba - Vereadores de Campo Largo, município da Região Metropolitana de Curitiba, devem instalar ainda esta semana uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias que envolvem políticos, empresários e autoridades locais em festas e orgias com adolescentes. De acordo com o vereador Lino Petry (PT), os parlamentares estão preocupados com a repercussão negativa das denúncias.
Dentre os supostos envolvidos, estão sendo investigados vereadores, um policial civil, um juiz, um funcionário da prefeitura e comerciantes, cujos nomes serão mantidos em sigilo até a comprovação das denúncias. ''A Câmara entrou em descrédito. Temos que investigar para descobrir se algum vereador esteve participando desse tipo de festinha. Se tiver participado, cabe à própria Câmara iniciar o processo de cassação desse vereador'', afirmou Petry.
A proposta de uma CPI foi debatida na noite de segunda-feira na sessão da Câmara, onde foi registrada a presença recorde de populares acompanhando os trabalhos. O requerimento solicitando a CPI foi assinado por seis parlamentares, do PMDB, PT, PFL e PSB, o suficiente para a instalação da comissão. ''Tivemos um terço das assinaturas para a instalação da CPI. É uma prioridade. Mesmo os vereadores que estão sendo denunciados devem ter a vontade de esclarecer rapidamente os fatos para não terem seus nomes envolvidos num escândalo grave como esse. É hora de darmos uma resposta para a sociedade'', defendeu o petista.
De acordo com a denúncia que está sendo investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP), as ''festinhas'' aconteciam numa chácara do distrito de Morro Vermelho. As adolescentes aliciadas eram pagas para dançar e fazer strip-tease na presença de autoridades em troca de dinheiro e comida. Muitas vezes elas eram obrigadas a manter relações sexuais na frente dos demais participantes. Quatro meninas foram ouvidas até agora pela polícia e MP.
A indicação dos vereadores que vão integrar a CPI, uma vez instalada, cabe à presidência da Câmara, obedecendo-se o critério da proporcionalidade partidária. A comissão terá 90 dias para conclusão dos trabalhos, com a possibilidade de ser prorrogada por mais 60 dias.

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