Vereadores que recebiam propinas renunciam em Cerquilho
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por José Maria Tomazela 
Cerquilho, SP, 20 (AE) - Acusados de cobrar propinas para atender a população e usar funcionários e material da prefeitura em benefício próprio, os vereadores João Aparecido Alves Mira e João Batista de Almeida, ambos do PSDB, renunciaram hoje aos cargos, em Cerquilho, a 150 quilômetros de São Paulo. Com isso, evitaram o processo que a Câmara já tinha instaurado para cassar seus mandatos.
Segundo o relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou os dois vereadores, eles ficaram sócios de um porto de areia e usavam máquinas da prefeitura para extrair o produto. Os vereadores eram também funcionários municipais e exerciam funções de chefia. Mira, contratado na função de serviços gerais, comandava o setor de obras da prefeitura. O motorista Almeida controlava a frota de máquinas do município.
De acordo com o vereador João Cláudio Batistella (PMDB), que presidiu a comissão processante, ficou comprovado que Almeida cobrava propinas para jogar cascalho em acessos e realizar serviços com máquinas da prefeitura. O outro vereador utilizou funcionários municipais para construir duas de suas casas. Embora recebessem menos de R$ 1 mil mensais cada um, entre salários e proventos de vereador, o patrimônio dos acusados inclui vários imóveis e veículos novos, segundo apurou a comissão. Com base no resultado da CPI, o Ministério Público abriu processo contra os vereadores.
Almeida e Mira alegaram inocência hoje. Eles disseram que o porto de areia pertence às suas esposas e que renunciaram em razão das pressões que vêm sofrendo dos adversários políticos. As vagas serão preenchidas pelos suplentes do partido, Neuci Foltran Mori e Carlos Alberto Casarini.
SOROCABA - Em Sorocaba, a Câmara aprovou por 9 votos a 5, com 7 abstenções, a formação de uma Comissão Processante para propor a cassação do mandato do vereador Oswaldo Duarte Filho (PMDB), que preside o Legislativo. Duarte Filho é acusado de ter tentando subornar o vereador Antonio Rodrigues Filho (PSDB), oferecendo vantagens financeiras para que o apoiasse no cargo. Ele prorrogou seu mandato de um para dois anos e estava ameaçado de destituição.


