São Paulo, 23 (AE) - O "bloco" governista na Câmara Municipal, que tenta negociar cargos e a indicação de duas secretarias municipais no Executivo, adiou novamente a votação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da oposição e parte da bancada desistiu de votar projetos de lei enviados pelo prefeito Celso Pitta (PTN) apontando como motivo a inclusão do projeto de lei que cria o Dia do Amigo na pauta.
O desfecho da sessão provocou uma reação imediata do Executivo
que contava com a aprovação em primeiro turno de pelo menos oito projetos.
O secretário municipal de Comunicação Social, Antenor Braido, criticou a demora da Câmara para aprovar projetos de lei de "interesse da cidade", sem um motivo "sério aparente". "Há semanas que a Câmara não aprova nenhum projeto e não dá para entender como perdeu mais um dia discutindo se vota ou não o Dia do Amigo", afirmou Braido.
"A Câmara, que tem responsabilidade de governar a cidade em conjunto com o Executivo, está prestando um desserviço a São Paulo adiando a votação de projetos importantes, como o que regulamenta a atividade dos perueiros", completou.
Os vereadores governistas não entederam exatamente a reação e as críticas feitas pelo Palácio das Indústrias, mas reagiram imediatamente.
O vereador Bruno Feder (PTB), cuja bancada recebeu sinal verde para indicar o novo secretário municipal da Habitação e do Desenvolvimento Urbano, admitiu a existência de um desentendimento entre as bancadas governistas para aprovar projetos de lei. Ele disse, entretanto, que "os assemelhados se atraem".
"A Câmara e a Prefeitura são concorrentes, porque nunca existiu uma Prefeitura tão inoperante na história da cidade, da mesma forma que a Câmara está inoperante", disparou Feder.
"O senhor Antenor Braido é inábil, inoperante e contribui diretamente para que o prefeito Celso Pitta tenha a rejeição demonstrada pelas pesquisas de opinião, porque não consegue divulgar o trabalho da administração", completou o petebista.
O vereador Toninho Paiva (PFL), que defende abertamente o direito de os parlamentares governistas voltarem a indicar cargos no governo, entendeu as críticas como uma defesa antecipada. "Da mesma forma que aprovamos uma CPI para apurar irregularidades envolvendo vereadores no início do ano, podemos aprovar uma investigação para apurar denúncias contra o Executivo", afirmou Paiva.
"Talvez por isso estejam atacando, tática que é tida como a melhor forma de defesa", completou o vereador do PFL. Ele referiu-se a uma articulação que estaria em curso na Câmara.
A intenção dos governistas, segundo vereadores que pediram para não ser identificados, seria tentar aprovar nos próximos dias a CPI dos Precatórios. Dessa forma, transfeririam o foco das atenções da Câmara para o Palácio das Indústrias e manteriam Pitta numa posição vulnerável.
Essa estratégia começou a ganhar força nos últimos meses, mas já foi discutida no passado e não progrediu. A CPI das oposições
que quer investigar denúncias de irregularidades envolvendo órgãos municipais e vereadores governistas, está sendo usada como moeda de negociação pelos governistas.
Dia do Amigo - A intenção das bancadas de situação era aprovar vários projetos do Executivo, entre os quais autoriza o governo a fazer concessão para construir faixas expressas de tráfego nas Marginais dos rios Tietê e Pinheiros mediante cobrança de pedágio.
Como foram incluídos outros projetos de vereadores, Dito Salim (PPB) exigiu que fosse aprovado seu projeto, que institui o Dia do Amigo em São Paulo. Os vereadores governistas disseram que isso seria negativo para a Câmara, mas Salim ficou irritado e não concordou em retirá-lo da pauta.
Vereadores da bancada governista, que pediram para não ser identificados, admitiram que o projeto do Dia do Amigo acabou tornando-se uma boa desculpa para evitar novas "manchetes" sobre a barganha política da Câmara em relação ao Executivo.

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