Ana Carolina Sacoman Especial para a Folha
Os dez vereadores do PT da região de Maringá iniciaram ontem, no plenário da Câmara de Vereadores, vigília em protesto contra a prisão dos 34 coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Querência do Norte (113 km de Paranavaí), que já dura um mês. Eles prometem ingerir apenas água por 24 horas.
É a primeira vez que os vereadores do partido na região manifestam-se dessa forma em favor do MST. Segundo a representante do PT de Maringá, Bia Correa, essa é a maneira de chamar a atenção da população e do governo para o que está acontecendo com os sem-terra. ‘‘A situação aqui no Estado está demais, parece que estamos na época da ditadura militar. É um ato polêmico para pressionar o governo, que só negocia assim’’, afirmou.
A preocupação dos manifestantes é divulgar o lado positivo e atuante do MST que, segundo Bia, ficou com a imagem muito prejudicada com o episódio do grampo nos telefones divulgado anteontem. ‘‘Isso repercutiu muito mal, as pessoas estão revoltadas e queremos mostrar que não é bem assim e que essa história foi uma sátira; os líderes sabiam que estavam sendo ouvidos. Queremos a população do lado do movimento’’, disse.
O ato em Maringá conta com o apoio dos sem-terra que estão acampados em Curitiba. Os manifestantes também reivindicam o assentamento das 7 mil famílias que estão em local provisório, a mudança da política do governo para a reforma agrária e criticam a criação do Banco da Terra que, para os vereadores, irá desarticular todo o movimento dos sem-terra, começando pelo Paraná. ‘‘A questão principal são os presos, que consideramos presos políticos, mas também queremos chamar a atenção para estas outras questões importantes’’, afirmou Bia.
Para o membro do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores, Mário de Oliveira Lima, atos como esse deveriam ser mais frequentes e contar com outros segmentos da população. ‘‘A sociedade deveria se mobilizar, protestando contra as arbitrariedades que estamos vendo’’, afirmou. ‘‘Qualquer tipo de manifestação é válida para mostrar a indignação contra o que estão fazendo com os trabalhadores rurais.’

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