Vereadores do PT recuam e decidem não pedir licença
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 13 (AE) - Os cinco vereadores do Partido dos Trabalhadores em São Paulo que ameaçavam pedir licença de seus cargos na Câmara Municipal em razão de divergências com o partido quanto à votação do Orçamento recuaram. Amanhã Adriano Diogo, José Eduardo Martins Cardozo, Devanir Ribeiro, Vicente Cândido e Carlos Neder formalizariam pedido de licença de trinta dias por não concordarem com a ordem do PT de aprovar em primeira votação o Orçamento do próximo ano.
"Vamos tentar o diálogo para ver se chegamos a um denominador comum", justificou José Eduardo Cardozo. Segundo ele, isso não significa que os cinco mudaram de opinião em relação ao parecer elaborado pela Comissão de Finanças e Orçamento. Nas últimas votações, o grupo tem votado pela abstenção por não concordar com o projeto. "Estamos fazendo o possível para ver se chegamos a um entendimento e espero que o partido faça o mesmo", disse Cardozo.
O recuo está sendo encarado por integrantes do partido como uma forma de o grupo fortalecer sua posição. Os parlamentares teriam o apoio de integrantes da base do partido que não concordam com a decisão do diretório municipal. Na nota distribuída à imprensa, os vereadores dizem que um dos objetivos da suspensão do pedido de licença é divulgar para todas as instâncias partidárias e diretórios zonais as razões do voto contrário ao parecer da Comissão de Finanças.
Na semana passada, o presidente do diretório municipal, o deputado federal Ricardo Berzoini, enviou uma carta à Câmara determinando que a bancada a aprovasse o parecer em primeiro turno. Os cinco decidiram pedir licença por não concordarem com a intervenção em uma posição definida por "tática de plenário". A decisão não acalmou os ânimos dentro da bancada. "Eles não devem estar se considerando mais do partido, pois eu não havia sido comunicada da nota", disse a líder do partido na Câmara, vereadora Aldaíza Sposati. "Esperei todo o fim de semana e eles não se mostraram dispostos a dialogar", comentou a petista, que segue a orientação do diretório.
Orçamento - A Câmara mais uma vez não aprovou em primeira votação o parecer do Orçamento para o próximo ano. O projeto ficou pendente de votação e amanhã deve ser colocado novamente em votação no plenário.Segundo os vereadores governistas, ainda não houve definição quanto às possíveis alterações no Orçamento, entre elas a margem de remanejamento - porcentagem de transferência de verbas de uma secretaria para outra sem necessidade de autorização da Câmara. Após a sessão, a bancada governista iria reunir-se para discutir a questão. "Amanhã será o dia decisivo", disse o vice-líder do governo na Câmara, Viviane Ferraz (PL).


