São Paulo, 14 (AE) - Cinco vereadores do Partido dos Trabalhadores em São Paulo confirmaram hoje o pedido de licença de 31 dias de seus cargos na Câmara. A decisão aconteceu após a executiva municipal do partido reafirmar a posição de que a bancada deveria votar unida o projeto do Orçamento para o próximo ano. Hoje dois dos suplentes, Odilon Guedes e Tereza Lajolo, estiveram na Câmara, mas só amanhã os suplentes assumem.
Deverão assumir Vital Nolasco (PC do B), no lugar de Adriano Diogo; Odilon Guedes (substitui José Eduardo Martins Cardozo); Tereza Lajolo (Carlos Neder); João Antonio (Vicente Cândido) e Walfredo Ferreira (Devanir Ribeiro). Com exceção de Nolasco, todos são do PT.
A polêmica dentro do PT começou após os cinco licenciados se negarem a aprovar, em primeira votação, o parecer do Orçamento elaborado pela Comissão de Finanças e Orçamento. Segundo eles, o parecer é muito parecido com o projeto original enviado pelo Executivo. "Eles subestimam a despesa e superestimam a receita", criticou José Eduardo Cardozo. Ele lembra também que a Prefeitura não pretende aplicar os 30% das verbas no setor da Educação, conforme exige a lei.
Após a divisão da bancada na primeira votação, a executiva municipal interferiu na questão e determinou que todos os parlamentares votassem unidos pela aprovação do parecer em primeira votação. Os cinco insistiram em sua posição e resolveram entrar com um pedido de licença.
Recuo - Ontem (13) o grupo havia decidido suspender o afastamento temporário."Tentamos abrir um canal para o diálogo", justificou Carlos Neder. Eles mudaram de idéia após uma reunião feita à noite pela executiva,na qual foi confirmada a ordem do voto único. Amanhã (15 a questão será discutida por todo o diretório municipal do PT.
"A licença é o melhor caminho para desobstruir os canais de comunicação", afirmou Vicente Cândido. Oficialmente, todos esperam uma "decisão saudável", mas a confirmação da licença aumentou o mal-estar na bancada. "Há tempos já havia uma divisão, mas agora a situação se complicou", disse um vereador do PT que não quis se identificar. Durante a sessão, os dissidentes divulgaram uma carta com 13 motivos para não votar o parecer da Comissão de Finanças.
"É uma questão de foro íntimo dos vereadores", disse a líder do PT na Câmara, Aldaíza Sposati. "Fiz um apelo para que permanecessem nos seus cargos, mas eles não aceitaram." O presidente municipal do PT, Ricardo Berzoini, não foi localizado.
A entrada dos suplentes não garante a votação em bloco do parecer."Tenho a tendência de votar contra para combater o malufismo", disse Odilon Guedes. Ele citou a proposta que fixa R$ 440 milhões do Orçamento para o extinto Plano de Atendimento à Saúde (PAS). "No momento não posso dizer que sou contra e nem a favor", comentou Tereza Lajolo. "Só posso dizer que tenho posições políticas muito claras", completou. Amanhã o assunto será discutido em uma reunião das bancadas de oposição, na Câmara.

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