Vereadores do PSDB colam esparadrapo na boca em protesto contra mudanças no Regimento
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 24 (AE) - Os vereadores da bancada do PSDB, um dos partidos que integram a oposição ao Executivo na Câmara Municipal, colaram esparadrapos na boca durante um minuto, hoje, em protesto às mudanças no Regimento Interno aprovadas ontem e que devem ratificadas na terça-feira. As alterações asseguram plenos poderes ao "bloco" da situação, que terá poderes para definir pautas, encerrar discussões, votar projetos em dois turnos no mesmo dia e encerrar discussões mediante maioria simples de 28 votos.
A manifestação foi iniciada pelo líder da bancada do PSDB, vereador Dalton Silvano. Durante discurso contra a decisão dos governistas, Silvano parou e ficou com o esparadrapo na boca durante um minuto. O gesto foi seguido pelos demais vereadores do partido e representa a indignação contra o fim do direito à liberdade de expressão, imposta pelos governistas. "Espero que o senhor ande dessa forma pela cidade", provocou o vereador Wadih Mutran (PPB). "Jamais me calarei", respondeu Silvano.
A bancada de oposição na Câmara Municipal começou a discutir hoje a estratégia para evitar que os governistas levem adiante as alterações no Regimento Interno e, apesar de não descartarem a possibilidade recorrer à Justiça, devem investir em atos e manifestações que depertem a indignação da opinião pública. Uma das idéias em estudo é criar uma espécie de "plenário" clandestino, no qual os vereadores oposicionistas discutiriam a mesma pauta definida pelos governistas, que devem permanecer no plenário oficial. "Eles estão transformando a oposição em clandestinos, porque não teremos mais direito a nada
então o certo é agir dessa forma", afirmou Aldaíza.
"É uma boa idéia, pois o fomal ficaria no plenarião e o legímito, no plenarinho", prosseguiu Nélson Proença (PSDB). Ele entende que, como não houve discussão alguma, o que ocorreu foi um "golpe". "Se levarem essa proposta adiante, a Câmara de fato será um cartório de registro dos atos do Executivo", afirmou Proença. Na próxima semana, a bancada do PT discutirá que posição tomará em relação à participação do vereador Devanir Ribeiro (PT) na Mesa Diretora da Câmara.
Além disso, o vereador Carlos Néder (PT) lembrou que uma parte da bancada do partido apoiou a candidatura de Armando Mellão (sem partido) para a Presidência da Câmara. Um dos compromissos assumidos foi justamente o respeito ao Regimento Interno e, para Néder, existe a necessidade de discutir a forma como Mellão atuou no primeiro semestre deste ano. O líder do Governo na Câmara, vereador Viviani Ferraz (PL), negou que tenha ocorrido um "golpe" e disse que essas alterações estavam sendo discutidas há alguns anos. "O Regimento voltou a ser o que foi na gestão do PT", retrucou Ferraz.
De acordo com Ferraz, a oposição continuará tendo o pequeno e o grande expedientes para discutir os projetos de lei colocados em pauta. "Não vamos aprovar qualquer coisa, mas precisamos ser mais rápidos na discussão e votação de projetos de interesse da cidade, como a rolagem da dívida mobiliária, por exemplo", disse, afirmando que a alteração não tem nada a ver com o fato de o Executivo estar tentando acelerar projetos de privatizações.


