Vereadores do PPB tentarão impedir votação de impeachment
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Flávio Mello e Marcus Lopes 
São Paulo, 04 (AE) - Os dois vereadores do PPB indicados para a comissão especial que analisará a denúncia feita pela seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) contra o prefeito Celso Pitta (PTN), Brasil Vita e Wadih Mutran, tentarão impedir que o pedido de impeachment seja encaminhado ao plenário da Câmara Municipal, numa estratégia definida em conjunto com os principais arculadores políticos do Palácio das Indústrias. A intenção é provar, tecnicamente, que a denúncia é inconsistente por falta de provas concretas e poderão até recorrer a pareceres de juristas famosos, mas, em conversas reservadas, admitem não ter como garantir se o parecer final será o esperado pelo governo municipal.
Em conversas reservadas, os governistas dizem estar preocupados com o comportamento que poderá ser adotado pelos representantes do PMDB e do PTB - respectivamente Ivo Morganti e Natalício Bezerra. Morganti disse que só vai declarar o voto na comissão especial e Bezerra afirmou inúmeras vezes que votará a favor da admissão da denúncia e da abertura do processo de imepachment.
Essa indefinição provocou um boato de que Morganti poderia ser substituído por um outro vereador do PMDB, mas o parlamentar foi confirmado e mantido. "Fiquei sabendo desse boato pelo Jooji (Jooji Hato, líder do PMDB), que telefonou para a minha casa na hora do almoço e disse que tudo não passava de invenção", afirmou Morganti.
Nas útlimas semanas, vários vereadores foram procurados pelos principais articuladores políticos do Executivo. Os governistas, que pedem para não ser identificados, dizem que os mais próximos do Palácio das Indústrias são Paulo Roberto Faria Lima (PMDB), Brasil Vita e Wadih Mutran, ambos do PPB.
O secretário de Governo, Carlos Meinberg, admitiu ter conversado com vários vereadores nos últimos dias. Ele e Pitta negam, entretanto, qualquer tentativa de interferir no Legislativo e na formação da comissão especial.
"O Legislativo é independente e não interferimos nisso", disse Pitta, na semana passada. Meinberg limitou-se a dizer que, uma das atribuições da Secretaria de Governo, é conversar frequentemente com os vereadores que apóiam o Executivo.
Ontem (03), Vita foi chamado ao Palácio das Indústrias diretamente pelo prefeito. Quando chegou ao Executivo, Meinberg também foi chamado e o vereador e ex-líder do governo foi questionado para dizer qual era o panorama na Câmara Municipal.
A escolha de Vita para integrar à comissão especial deve-se ao fato de ser um dos mais experientes vereadores da situação e ser advogado militante, com condições de produzir um relatório técnico.
Mutran tomará conta da parte "política", pois é famoso por defender os pontos de vista do Executivo aos berros e por meio de brigas, planejadas para tumultuar as sessões tanto em comissões como em plenário.
Mutran também não se importa de se expor publicamente, como durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais. Numa tentativa de demonstrar que não temia a prorrogação da investigação, apresentou um requerimento para permitir os trabalhos por apenas mais três dias.
À época, foi alertado por companheiros que seria criticado e teria a imagem desgastada, mas não se importou. Vita e Mutran consideram que, eleitoralmente, já foram prejudicados, portanto, terão de continuar defendendo o governo para ter algum espaço numa eventual campanha política de Pitta ou do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Se não aceitassem representar o partido e defender o governo, temiam ser acusados de abandonar o barco em momento de crise e de ser traidores.


