São Paulo, 04 (AE) - Os vereadores Wadih Mutran (PPB) e Brasil Vita (PPB), dois dos principais defensores da Prefeitura de São Paulo na Câmara Municipal, integrarão a comissão especial que analisará o pedido de impeachment do prefeito Celso Pitta (PTN). Vita e Mutran, respectivamente, líder e vice-líder da Prefeitura, foram escolhidos hoje para representar a legenda na comissão especial que analisará a denúncia feita pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Eles tentarão conquistar, respectivamente, a presidência e a relatoria da comissão para pôr a estratégia governista em prática: arquivar a denúncia por meio de pareceres jurídicos.
Apesar de a escolha ter sido encarada na Câmara como uma manobra da Prefeitura para encerrar o pedido de afastamento ainda na primeira fase do processo, quatro dos sete integrantes da comissão declararam voto favorável à abertura do processo: os vereadores Gilson Barreto (PSDB), Natalício Bezerra (PTB), Cármino Pepe (PL) e Arselino Tatto (PT). O vereador Ivo Morganti (PMDB) disse que tem uma opinião formada, mas ainda não declarou se votará a favor do prefeito ou contra ele.
"É uma estratégia do Palácio das Indústrias, mas o processo deve seguir adiante", disse Pepe. De acordo com levantamento realizado pelo "Estado", na semana passada, com os vereadores, pelo menos 45 devem votar favoráveis à abertura do processo de impeachment. "A voz do povo é a voz de Deus", disse Bezerra, ao declarar à imprensa o voto favorável à abertura do processo de impeachment. O petebista é um dos que podem decidir o destino do parecer da OAB. "Vou além e sou favorável à abertura de uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para investigar a todos", completou Bezerra.
A grande dúvida dos vereadores da oposição é se Vita e Mutran agirão com imparcialidade. "Acho difícil eles serem isentos, já que respondem pela liderança do governo", disse Tatto.
Segundo ele, os dois pepebistas deveriam ser impedidos de assumir a presidência ou a relatoria do processo. "Politicamente, é insustentável a Câmara analisar um documento tão importante com homens de confiança do governo", completou Tatto.
Mutran admitiu que o processo será político. Segundo, ele, a partir do momento em que a denúncia foi enviada para a Câmara, não há como evitar um julgamento político.
"Se eles quisessem apenas um processo técnico, deveriam enviar para o Ministério Público Estadual (MPE)", disse Mutran. Ele afirmou que ainda não leu em detalhes o relatório da OAB, o que o impede, de acordo com o vereador, de emitir opinião a respeito.
Os nomes de Vita e Mutran foram anunciados logo no início da sessão, em que estiveram presentes quase todos os vereadores. A única falta foi da vereadora Myryam Athie (PMDB), que, ontem (03) à noite, foi internada no Instituto do Coração (Incor).
Segundo a Assessoria de Imprensa de Myryam, a parlamentar sofreu uma crise de hipertensão.
No fim da sessão, os sete integrantes da comissão especial reuniram-se para definir quem seria o presidente e o relator.
O parlamentares da oposição tentaram hoje novamente pôr em votação a CPI dos Frangos, apresentada há meses pelo vereador Carlos Neder (PT) e ressuscitada por Myryam há algumas semanas. Esse requerimento tem preferência de votação em relação ao pedido apresentado pelos partidos de oposição - PT, PSDB, PSB, PC do B e PPS - para apurar as denúncias feitas pela ex-primeira-dama Nicéa Pitta contra o ex-marido, mas continuou pendente porque os governistas não responderam à verificação de presença e evitaram o quórum mínimo - 28 parlamentares - para deliberações.
Desde que as denúncias foram feitas por Nicéa, a estratégia dos vereadores governistas é evitar uma nova CPI. Na visão dos parlamentares que apóiam o governo, a melhor saída seria abrir a comissão especial de impeachment - mesmo que apenas para arquivar a denúncia - e barrar uma nova investigação ampla, a qual poderia os atingir.

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