São Paulo, 24 (AE) - A cassação do mandato do vereador Vicente Viscome (sem partido) não é unanimidade na Câmara Municipal de São Paulo. A Comissão Processante ainda está ouvindo as testemunhas de defesa indicadas pelo advogado Ademar Gomes. Os vereadores não comentam publicamente o tema, mas em conversas reservadas parlamentares que integram o bloco governista na Câmara disseram que votarão contra a cassação de Viscome.
Os argumentos são os mais variados para justificar a posição contrária à cassação. Os principais, entretanto, são a alegada falta de provas materiais que justifiquem a cassação do mandato, o fato de alguns parlamentares alegarem que não são juízes para definir o destino de um companheiro de Legislativo e
em alguns casos, até o comprometimento político.
Um vereador, que falou sob a condição de não ter o seu nome e partido revelados, disse não ter condições para cassar um companheiro. Quando o parecer da Comissão Processante, cuja tendência ainda é propor pela cassação, for enviado ao plenário, muitos vereadores contrários dirão publicamente ser a favor para evitar a pressão e a cobrança popular. O único receio da maioria do bloco governista é a repercussão e o desgaste que a eventual não-cassação de Viscome entre a opinião pública. Eles entendem que a demoralização poderá ser muito grande e ainda não encontraram uma fórmula para enfrentar mais desgaste.
Nos próximos dias mais dois vereadores devem ter a cassação de seus mandatos proposta pela CPI dos Fiscais: Maeli Vergniano (sem partido) e José Izar (PFL), convocados para depor no sábado na condição de acusados na comissão. Uma parte dos vereadores governistas acredita que, por uma questão de relacionamento interno, Meli e Izar correm mais risco do que Viscome.
A tendência dos parlamentares aparentemente foi de deixar Viscome isolado, a julgar pela reação ocorrida no primeiro dia licença para comparecer às sessões legislativas. Hoje, entretanto, Viscome participou da reunião das bancadas governistas e votou junto com os seus ex-companheiros de partido.
Prazo - Apesar da apreensão com a próxima etapa da crise interna provocada pelas investigações sobre a máfia dos fiscais, os vereadores ainda têm tempo para tomar a decisão. A Comissão Processante tem prazo de 90 dias para concluir os trabalhos e emitir relatório final.
O integrante da comissão, vereador Paulo Frage (PPB), disse que há uma nítida intenção da defesa de Viscome de ganhar tempo com as testemunhas arroladas - o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) e Celso Pitta (sem partido), por exemplo. "O prazo é suficiente, mas vamos perder mais tempo do que o necessário para concluir o relatório", disse Frange, lembrando que o prazo vence em 12 de julho.

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