Vereadores de SP tentam melhorar imagem da Câmara no 2º semestre
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 02 (AE) - A Câmara Municipal retoma amanhã (03) seus trabalhos na tentativa de dissipar a nuvem negra que pairou sobre o legislativo municipal durante o primeiro semestre. Além da esperança de mostrar eficiência aprovando projetos de lei de interesse da cidade, alguns parlamentares estudam a troca de partido e consideram inevitável a cassação de dois colegas que estão sendo processados por suspeita de corrupção: Maeli Vergniano (sem partido) e José Izar (PFL).
Amanhã (03), deve ser realizada apenas a sessão ordinária e há poucas chances de algum projeto ser aprovado. "A Câmara voltará mais responsável e interessada em aprovar projetos de interesse da cidade", diz Miguel Colasuonno (PPB). Nos próximos dias, a bancada governista deve reunir-se com o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg, para discutir o rumo dos trabalhos no segundo semestre.
"Nunca o legislativo foi obrigado a prestar contas como neste ano", diz Colasuonno, que preside a comissão que avalia a eventual cassação de Izar. Para o pepebista, as novas denúncias de corrupção e que envolvem outros parlamentares, como Archibaldo Zancra (PPB), devem passar longe da Câmara. "As investigações estão sendo bem conduzidas pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual", justifica Colasuonno. "Além disso, temos de evitar a formação de um novo palco político." A líder do PT, Aldaíza Sposati, discorda de Colasuonno. "As investigações devem continuar, até porque surgiram fatos novos"
justifica Aldaíza, referindo-se às recentes denúncias envolvendo outros parlamentares que não foram investigados pela extinta Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais. Opinião semelhante é do líder do PSDB, Dalton Silvano. "A CPI dos fiscais deve ser reaberta", afirma Silvano.
Regimento Interno - Uma das preocupações do vereador tucano refere-se às mudanças no Regimento Interno da Câmara, que prevê menos tempo para as discussões na votação de projetos de lei. "Quero saber o que a situação pretende com isso", diz Silvano. Com as mudanças, acaba, por exemplo, o intervalo entre a primeira e a segunda votação de um projeto de lei.
Os governistas, porém, devem revidar qualquer estratégia tentando mostrar o telhado de vidro da oposição. "Vamos atacar os casos envolvendo vereadores e que não foram esclarecidos, como o Tatto e a Ana Maria Quadros", explica Colasuonno. Ele refere-se às denúncias de que os vereadores Arselino Tatto (PT) e Ana Maria Quadros (PSDB) ficariam com parte dos salários dos funcionários de seus gabinetes.
O relator da CPI dos Fiscais, Milton Leite (PMDB), espera o início de uma nova fase. "Um clima de caça às bruxas pode criar um clima de salve-se quem puder e prejudicar os trabalhos em plenário", diz Leite.
Alguns parlamentares do bloco governista, porém, admitem que
apesar do fim da CPI dos Fiscais, as novas denúncias envolvendo parlamentares não devem esfriar os ânimos em plenário. "A turbulência deve continuar", acredita Toninho Paiva (PFL). "Além dos dois que estão sendo processados, novas denúncias devem surgir", salienta o pefelista, referindo-se às recentes denúncias veiculadas na imprensa.
PAS - Segundo Paiva, o Palácio das Indústrias deve esclarecer sobre as recentes mudanças no setor da saúde municipal, com a extinção do Plano de Atendimento à Saúde (PAS). "Eu me senti ofendido quando o prefeito e o secretário da saúde disseram que vão acabar com a mamata", diz Paiva.
"Afirmações desse tipo levam a crer que os vereadores realmente participavam do sistema de saúde", completa o parlamentar. Alguns vereadores lembram que a necessidade de dar transparência e mudar a imagem do legislativo podem significar a própria sobrevivência política. "O processo eleitoral se antecipou muito por causa da CPI", diz Toninho Paiva.


