Sorocaba, SP, 22 (AE) - Os nove vereadores de Salto (SP), afastados pela Justiça sob a acusação de uso indevido do dinheiro público, entram amanhã (23) com recursos no Tribunal de Justiça do Estado na tentativa de recuperar os cargos. Eles foram condenados, em liminar concedida pelo juiz Caramuru Afonso Francisco, à perda da função pública e a restituir aos cofres os valores gastos indevidamente. O ressarcimento atinge a soma de aproximadamente R$ 500 mil. As verbas foram gastas em viagens para participar de congressos realizados em cidades turísticas do Nordeste, como Fortaleza, Porto Seguro e Recife.
Na viagem a Fortaleza, o congresso durou três dias, mas a permanência dos vereadores foi esticada para oito dias. O juiz considerou que as despesas não eram justificáveis. Os acusados alegam que o uso das verbas não foi indevido. "Não houve abuso, pois os congressos foram muito produtivos", disse Pedro Lucas de Araújo (PDT), um dos afastados.
Ele e os outros seis vereadores que viajaram - José Carlos Silvestre (PDT), Rosano César Andrietta (PSDB), José Lopes Barbosa (PDT), Ernani Soares Marques de Souza (PSL), Laerte Moja (PMDB) e Célia de Oliveira Pinto Coa (PT) - decidiram entrar com um único recurso. O presidente afastado Geraldo Pedro Caprioli (PSDB) e o ex-presidente Djalma Moreira Néri (PL), também punido
optaram por um recurso em separado. É que eles não viajaram a nenhum congresso, tendo sido condenados por terem autorizado as viagens.
Hoje, Caprioli negou qualquer responsabilidade pelas despesas. "As viagens foram autorizadas através de projetos de lei, aprovados por todos os vereadores", disse.
Segundo ele, esse tipo de despesa tem previsão legal e a ida a congressos é importante. "O vereador precisa trazer idéias novas para sua cidade." Sobre os cinco dias a mais passados em Fortaleza, Caprioli disse que isso se deu porque o pacote de 8 dias ficava mais barato.

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