Vereadores de Querência intercedem pelos sem-terra
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Marccio W. Varella 
Carta de apoio ao MST enviada ontem ao governador do Estado, registrada em cartório e assinada pelos nove vereadores de Querência do Norte pediu a presença com urgência de um promotor público na cidade para que os direitos humanos sejam respeitados.
A carta, escrita em papel timbrado da Câmara Municipal de Querência do Norte, foi assinada pelo presidente da Casa Dalto Luciano de Vargas e pelos vereadores Carlos Benvenutti, Marcelino de Azevedo, Norberto Vicente Lyra, Marli Dias Gonçalves, Misael Jefferson Nobre, Gerson Peixoto, João Rocha da Silva e Antônio Leodi Sabot. O prefeito Vanderlei Alves da Costa (PTB) estava ausente da cidade ontem.
A carta começa dizendo que mais uma vez Querência foi palco de violenta tragédia: são 300 famílias de agricultores que perderam o direito de cultivar, ainda que precariamente, um pedaço de terra. A Câmara de Querência - continua a carta - se preocupa com as lavouras implantadas que se encontram em fase de colheita, gerando grande prejuízo à região.
Os vereadores pedem ao governo do Estado que autorize a retirada dos animais dos sem-terra, o que está proibido pela PM.
A carta critica a ação policial de despejo ocorrida há uma semana em Querência, quando seis fazendas foram desocupadas e 20 sem-terra presos. A ação de vossa polícia, sob o comando de Cândido Martins, é brutal. De forma perversa, homens, mulheres e crianças foram agressivamente arrancados de seus barracos de lona e obrigados a deitar na grama fria, das 2 horas até o amanhecer. Barracos foram queimados junto com alimentos e os poucos utensílios que as famílias possuíam, afirma a carta.
Qualquer pessoa dotada de sentimentos normais de fraternidade ficaria horrorizada em vivenciar a ação de vândalos cometida pela polícia do Paraná. Os assentamentos e ocupações em Querência movimentam a economia local, o comércio e as poucas agroindústrias. Exigimos: a libertação imediata dos agricultores presos; a retirada imediata de todas as tropas de Querência do Norte; o fim das perseguições aos trabalhadores; e o fim dos despejos, finaliza a carta.


