Vereadores de Guarulhos são acusados de exigir até 30% sobre valor de contratos
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Moacir Assunção 
São Paulo, 09 (AE) - O atual e os três ex-presidentes da Câmara de Guarulhos, na Grande São Paulo, segundo os depoimentos das empresas fornecedoras aos promotores de Justiça, exigiam valores que variavam de 20% a 30% e podiam chegar a 60% do valor dos contratos para permitir a continuação da prestação de serviços. A acusação consta da decisão do juiz Rodrigo Capez, que determinou, na terça-feira, a prisão de quatro vereadores de Guarulhos e três assessores.
Segundo a denúncia, obtida pela reportagem, os vereadores Oswaldo Celeste (PTB), atual presidente da Câmara, Waldomiro Ramos (PTB) e Fausto Martello (PPB), além do vereador Wanderley Simone Figueiredo (PL) - que ainda não foi localizado pela polícia - são citados como beneficiários de um esquema de extorsão, montado contra as empresas. Antônio Carlos Simões, o Nenê, Luís Pontes e José Carlos Patrão, assessores diretos dos parlamentares, que também estão sendo procurados, seriam, segundo as denúncias, quem pressionavam os empresários.
Praticamente todas as empresas que prestam serviços à Câmara são citadas nas denúncias. Daniel Alencar Bastos, sócio-proprietário da empresa Dardo, que presta serviços de limpeza e segurança, faz a maior parte das acusações. Propinas - Segundo Bastos, sua empresa recebeu pressões por parte de Martello, Figueiredo, e Celeste, baseados no seu poder de escolha de fornecedores na presidência, para pagar propinas que, em pelo menos uma ocasião, chegou a 60% do valor do contrato. Em uma ocasião, segundo ele, Martello propôs pagar somente 40% de um crédito de R$ 500 mil que ele tinha com a Câmara.
A proposta não foi aceita, mas a partir desse momento, ele teve de pagar 10% do valor do contrato mensal de propina. Sidney Luiz Fernandes, dono da Venko, empresa de informática, contou que recebeu pessoalmente de Celeste a exigência do pagamento de R$ 50 mil, de um total de R$ 300 mil que ele tinha direito a receber do contrato para comprar o voto do vereador Toninho Magalhães, morto em 10 de julho, na eleição para a presidência. Proposta - O próprio vereador, segundo Fernandes, confirmou a proposta de venda do voto para a eleição de Celeste. Com exceção de Ramos, os outros três parlamentares presos ocupam ou ocuparam a presidência da Casa, motivo pelo qual exerciam poder de escolha dos fornecedores. Ramos, segundo Bastos, teria pedido emprego para assessores e tinha conhecimento da extorsão contra as empresas, sempre exigindo sua parte.
Os responsáveis pelas empresas Viacomp, Coral e Taquigraf também são citados nos depoimentos. Segundo os autos do processo, as extorsões começaram em 1995, quando Wanderley Simone Figueiredo ocupava a presidência da Casa. O próprio parlamentar, de acordo com o dono da Dardo, exigiu que ele pagasse 30% do valor mensal do contrato como propina. Como Bastos teria recusado, Figueiredo ameaçou não liberar o segundo pagamento do contrato. Procurado, o responsável pela empresa não retornou a ligação da reportagem.
Luiz Pontes, assessor direto do então presidente, teria começado a receber os pagamentos, na ordem de 18% a 20% e não no valor combinado anteriormente. O mesmo empresário afirmou ter pago propina, também, a partir de janeiro de 1997, na gestão do então presidente Fausto Martello.


