Bauru, SP, 17 (AE) - Os vereadores de Bauru estão reunidos hoje para discutir a cassação, pela segunda vez, do mandato do prefeito afastado Antonio Izzo Filho. A leitura das 1300 páginas do processo montado pela comissão processante que apura 14 denúncias de cobrança de propina de fornecedores municipais deverá prolongar-se até amanhã (18) à noite, quando a palavra será aberta aos vereadores e depois ocorrerá a votação.
Diferente do que ocorreu durante a sessão da primeira cassação, em agosto do ano passado - quando o prédio da Câmara e até a rua estiveram tomados por manifestantes pró e conta a medida - hoje só compareceram vereadores, jornalistas e alguns curiosos. Desde a abertura do novo processo, Izzo Filho vem tentando obstruí-lo. Primeiro fugiu às notificações, depois deixou de apresentar defesa e tentou sem sucesso uma liminar para o bloqueio judicial do processo.
Izzo Filho continua desaparecido e seu advogado, Alberto Zacharias Toron, tenta obter no Superior Tribunal de Justiça a revogação dos dois mandados de prisão contra ele expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo nos processos por extorsão contra a empresa de ônibus da cidade e por ter agido como mandante de atentados contra vereadores e outros adversários.
O presidente da Câmara, vereador Paulo Madureira (PPB) prevê a votação da cassação para amanhã (18) à noite ou para sexta-feira (19), dependendo do número de vereadores que se dispuserem a discutir o assunto depois da leitura do processo. Na sua opinião, "a conclusão desse processo na Câmara é a demonstração de que os vereadores estão atentos e dispostos a punir os desvios cometidos na administração pública". Além dos dois processos de cassação, a Câmara de Vereadores de Bauru tem mais uma Comissão Especial de Inquérito aberta contra o prefeito afastado, por irregularidades em contratos de transporte de estudantes e de servidores municipais. Antes do prefeito, no final de 1997, foi cassado o mandato do vereador Hélio Pires (PPB), então líder do prefeito, acusado de corrupção.

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