Vereadores da situação usam CPI para conseguir cargos no governo
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 21 (AE) - Os vereadores do "bloco" governista na Câmara Municipal estão usando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta pelos partidos de oposição - PT, PSDB, PSB e PC do B - para negociar a indicação política de cargos e secretarias municipais com o Executivo.
O prefeito Celso Pitta (PTN) já anunciou a retomada de investimentos em bairros da periferia e cedeu à pressão dos parlamentares ao demitir o vereador Domingos Dissei (PPB) da Secretaria das Administrações Regionais, mas vários vereadores da bancada situacionista não abrem mão das indicações e algumas bancadas devem indicar até secretários municipais.
Enquanto os acordos políticos não forem acertados, os governistas não pretendem derrubar a CPI das oposições, que propõe apurar denúncias de irregularidades envolvendo órgãos municipais e vereadores.
Um outrou pedido de CPI apresentado por integrantes do "bloco" governista, acusado pela oposição de excluir o Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e Pitta de uma eventual investigação, também deve ser sepultado.
"Quando nos aproximamos de uma eleição, é importantíssimo os vereadores de sustenção do governo terem o seu espaço político como instrumento para atender à população e é isso que está causando uma série de problemas para não encerrar a CPI", admitiu hoje o vereador Toninho Paiva (PFL). "Acredito que, com o bom senso e a sensibilidade do prefeito, amanhã ou depois estaremos encerrando o capítulo CPI", completou Paiva.
O impasse na Câmara arrasta-se há semanas, porque o Executivo está tentando recompor sua base de sustentação de forma discreta. Os vereadores, entretanto, não aceitam a desculpa de que as indicações não são mais possíveis por causa das investigações do Ministério Público Estadual (MPE) e da Polícia Civil.
A bancada do PTB recebeu sinal verde do governo para indicar o futuro secretário municipal da Habitação e do Desenvolvimento Urbano, mas ainda não definiu nome. "A negociação está avançada
mas talvez seja melhor aguardarmos novas adesões para não provocar uma crise interna", avaliou hoje o vereador Paulo Frange (PTB).
Os parlamentares do PMDB, que agora são nove e representam uma das maiores bancadas municipais, também estão conversando com o governo municipal. Os comentários na Câmara é que estariam de olho na Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação, mas também poderiam indicar o presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab - SP).
"Oficialmente não sabemos de nada, mas a nossa posição é dar liberdade para as bancadas fazerem ou não acordos pontuais", disse o presidente da Executiva Municipal do PMDB, João Osvaldo Leiva. Os articuladores políticos do Palácio das Indústrias dizem, apenas, que as conversas estão prosseguindo.
Discussão - A sessão de hoje na Câmara foi marcada por discussões e frases bombásticas. Em seu pronunciamento, Adriano Diogo (PT) disse estar surpreso com as intenções de voto atribuídas ao ex-presidente Fernando Collor e ao ex-prefeito Paulo Maluf.
O vereador Natalício Bezerra (PTB) decidiu responder, cobrando respeito à opinião dos eleitores, e acabou questionando a segurança pública e disparou a seguinte frase: "O governo tem de por a mão na massa e fazer como aquele coronel que tirou 111 lixos do Carandiru", referindo-se ao massacre ocorrido no Complexo Prisional do Carandiru na gestão do ex-governador e deputado federal Luis Antônio Fleury Filho.
A Assessoria de Imprensa de Bezerra disse que ele acabou confundindo-se em seus comentários.
Pressão - Os vereadores de oposição tentaram criar um fato político pró-CPI. Eles passaram o início da tarde recolhendo assinaturas em favor das investigações na Praça Ramos de Azevedo
no centro da cidade.
De acordo com a líder do PT na Câmara, Aldaíza Sposati, conseguiu mais de mil assinaturas. O abaixo-assinado não foi entregue hoje à Mesa Diretora da Câmara.


