São Paulo, 04 (AE) - Diante das novas denúncias e das constantes prisões preventivas de fiscais supostamente envolvidos em esquemas de cobrança de propinas nas administrações regionais, os vereadores governistas aparentemente mudaram de posição e começaram a admitir hoje a possibilidade de aprovar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para ajudar a apurar eventuais irregularidades e tentar dar uma satisfação à população. Na prática, porém, se a tese da oposição for confirmada, a Câmara Municipal aprovará uma CPI de faz-de-conta.
Em conversas reservadas, os parlamentares da oposição comentavam que a estratégia governista era apresentar outro requerimento para impedir que o PT ficasse com o controle da investigação, caso a idéia seja levada adiante. A proposta inicial era apresentar um requerimento de consenso entre os partidos que apóiam o prefeito Celso Pitta (PPB), para neutralizar o pedido apresentado pelo vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT).
De acordo com o Regimento Interno da Câmara, a presidência da CPI é exercida pelo vereador que teve a iniciativa de apresentar o requerimento. Na proporcionalidade para indicação dos membros da comissão, os governistas levam vantagem. Retroatividade - Além de tentar evitar que a oposição assuma o comando da CPI, os governistas defendem que a investigação seja retroativa a até 20 anos e seja presidida pelo vereador mais velho, que, no caso, é Brasil Vita (PTB). "As últimas reportagens mostram que as irregularidades ocorrem há anos, então temos de investigar problemas ocorridos no passado para identificar a origem e sermos justos", argumentou o vereador Milton Leite (PMDB). Na prática, quanto maior a amplitude mais difícil é reunir provas e tomar depoimentos. Ivo Morganti (PFL) também defendeu a tese de que a CPI deve ser retroativa e ter a maior amplitude possível. "Estão propondo uma CPI falsa", reagiu, irritado no plenário, Nelson Proença (PSDB). "Se não entregarem as regionais e os cargos que detêm no governo e o Ministério Público não acompanhar a CPI, o processo não será confiável".
O vereador Cardozo disse que, apesar de os vereadores da situação garantirem estar a favor da CPI em público, ainda há muitos parlamentares governistas contrários à comissão. "Mas, se houver uma pressão da opinião pública, há possibilidade real de aprovação", disse, preferindo não comentar a existência de uma estratégia para evitar que o PT presida a CPI.
A convicção demonstrada no início da sessão, entretanto, não durou muito. Em reunião no gabinete da Presidência da Câmara, os vereadores procuraram chegar a um acordo. Não houve consenso e os governistas retornaram ao plenário tentando encerrar a sessão, proposta impedida pela intervenção do PT e do PSDB com base no regimento. O presidente da Câmara, Armando Mellão (PPB), acatou o argumento da oposição e respeitou as normas internas. A discussão sobre a CPI só deve ser retomada na próxima semana.

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