São Paulo, 10 (AE) - Os vereadores da oposição começaram na noite de hoje a articular o pedido de impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), e a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as denúncias de corrupção na administração municipal e na Câmara. O líder da bancada petista, José Eduardo Martins Cardozo, convocou uma reunião de emergência para a manhã de amanhã (12) para definir como deverão atuar os vereadores do partido.
Cardozo e o vereador Dalton Silvano, líder em exercício do PSDB, tentavam também marcar uma reunião entre as bancadas ainda no fim de semana para definir a estratégia da oposição. Até o fechamento desta edição, o encontro não havia sido confirmado, mas, entre tucanos e petistas, prevalecem as propostas de pedir o impeachment do prefeito e uma nova CPI.
"Se o prefeito tivesse bom senso, renunciaria agora ao mandato", declarou o líder do PT. "A denúncia é extremamente grave e já temos razões suficientes para cassá-lo." Segundo ele
os processos de impeachment e o andamento da CPI podem correr de maneira independente. E a prioridade será exatamente cassar o prefeito. "O fato é que essa administração acabou, não tem mais condições de governabilidade", disse o vereador petista. Ele avisou que vai defender uma CPI sem a participação dos colegas citados pela primeira-dama. "Todos os acusados tem de ficar de fora e, para isso, vamos chamar a primeira-dama para depor imediatamente." Cardozo declarou ainda que pretende acionar o Ministério Público Estadual (MPE) para que as acusações de Nicéa sejam investigadas.
O vereador Carlos Neder (PT) é mais cauteloso. Acha que o partido deve concentrar as forças nesse momento para instalar a CPI e, a partir de seus resultados, pedir o impeachment. Apesar disso, Neder acredita que o governo Pitta "chegou ao fim" com a contundência do depoimento da primeira-dama. "Sua relação com o prefeito dá autenticidade às denúncias." A Câmara
depois das acusações de Nicéa, "não terá como se omitir", disse Neder.
"A casa caiu", afirmou o vereador Dalton Silvano. "Fica claro, em primeiro lugar, que a CPI da Máfia dos Fiscais não deveria ter sido encerrada, mesmo porque tínhamos os indícios de que o esquema de corrupção chegava aos altos escalões da Prefeitura." Assim como Cardozo, o discurso de Silvano faz um apelo à união das oposições numa estratégia de atuação única. Ele é defensor do mesmo pedido de impeachment e da abertura da CPI: "Poderíamos tentar abrir uma comissão processante, mas juridicamente a melhor iniciativa é mesmo a CPI."
Os vereadores da oposição terão de reunir 19 assinaturas para pedir a abertura da CPI, mas vão ter de enfrentar duas votações para conseguir sua instalação. Isso porque há uma série de pedidos de CPIs anteriores. No momento, não há nenhuma comissão instalada, mas os vereadores precisarão conseguir 28 votos para que o novo pedido possa ser examinado antes dos demais. A partir daí, são necessários outros 28 votos para aprovar a abertura da CPI.

mockup