São Paulo, 24 (AE) - Os vereadores governistas ficaram temporariamente aliviados com a decisão da Justiça de afastar o prefeito Celso Pitta (PTN) do Executivo de São Paulo, porque apostam que não terão mais de passar pelo desgaste de impedir uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Legislativo nem de tentar barrar o início de um processo de impeachment.
"Se o prefeito não conseguir sucesso no recurso que lhe cabe, vou propor um pacto com as oposições para assegurar a governabilidade da cidade em torno do vice-prefeito", disse o vereador Miguel Colasuonno (PMDB). O vereador sugere a intenção de desviar o foco para a administração municipal de São Paulo. "A discussão tem de deixar de ser política-eleitoral, para ser administrativa", completou Colasuonno.
A bancada petebista defende basicamente o mesmo raciocínio. O vereador Bruno Feder (PTB) disse que não tem sentido discutir a abertura de um processo de impeachment ou o requerimento da CPI proposta pelos partidos de oposição - PT, PSDB, PSB, PPS e PC do B -, enquanto a Justiça tiver uma decisão definitiva. "Se não conseguirem suspender a liminar, então a situação ficará muito complicada e teremos de fazer uma nova avaliação", afirmou Feder.
A bancada do PPB estava atônita. "Não sei o que faremos e não consegui falar com ninguém, ainda", afirmou à noite o vereador Domingos Dissei (PPB).
O líder do governo municipal na Câmara, Brasil Vita (PPB), manteve a viagem que havia marcado. "A princípio, acho que a bancada não terá como discutir um eventual pedido de impeachment ou de CPI", disse o presidente estadual do PPB, Adhemar de Barros Filho.
Estratégia - Os vereadores da situação temiam a CPI porque, na melhor das hipóteses, pelo menos quatro parlamentares corriam o risco de perder o mandato durante as investigações. Eles estavam se preparando para permitir a abertura do processo de impeachment, caso a pressão popular aumentasse.
Apesar de o processo de impeachment ser restrito às denúncias contra Pitta e oferecer um risco menor aos parlamentares da sitação, também havia um temor de que nos desdobramentos pudessem ser atingidos.
O presidente estadual do PL e pré-candidato à eleição municipal deste ano, deputado federal Marcos Cintra, não acredita que a discussão política prossiga na Câmara. "No Legislativo o julgamento é político e esse desenlace já ocorreu, portanto não creio que os vereadores encaminhem o impeachment ou a CPI", argumentou Cintra.
"Acho que é o começo do fim", afirmou o presidente do Diretório Municipal do PMDB, João Oswado Leiva. A maior parte dos vereadores da bancada municipal do PMDB continua resistente às investigações na Câmara. O PFL deve apoiar o afastamento, mas só anunciará na próxima semana.

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