Vereadores apóiam redução de despesas da Câmara, mas criticam corte de verbas de gabinetes
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Flávio Mello 
São Paulo, 18 (AE) - Líderes de bancadas de oposição e de apoio ao governo municipal disseram hoje ser favoráveis à redução de despesas da Câmara Municipal de São Paulo, mas deixaram claro que não concordam com o corte de 30% das verbas dos 55 gabinetes proposto pelo primeiro secretário da Câmara, vereador Devanir Ribeiro (PT). A proposta dificilmente será aprovada neste ano ou em 2000.
O principal argumento dos líderes partidários é que a redução precisa ser detalhadamente discutida para não comprometer a qualidade do serviço. Os vereadores Miguel Colasuonno (PMDB) e Toninho Paiva (PFL) foram mais enfáticos. "Essa proposta é demagogia pura e acho que não será aprovada em plenário, porque não é o fundamental", disse Colasuonno. "Não acredito que essa proposta seja aprovada, um ano antes da eleição", avaliou Paiva.
A Câmara dos Deputados deve aprovar até o fim do ano emenda constitucional limitando os gastos dos Legislativos municipais com folha de pagamento em 70% do Orçamento anual. A Câmara de São Paulo consome 92%. Reestruturação - A líder do PT na Câmara, Aldaíza Sposati, considera um risco reduzir a verba dos gabinetes dos vereadores sem criar um "suporte técnico" para que os parlamentares realizem seus trabalhos. "Se reduzirmos o número de funcionários dos gabinetes sem que exista estrutura na Câmara para atender a essa demanda, perderemos em qualidade", afirmou Aldaíza.
O líder do PSDB, Dalton Silvano, afirmou que a bancada do partido ainda não discutiu o tema. Apesar disso, Silvano disse ser a favor da redução do custo. "A verdade é que as despesas estão subindo ano a ano". O líder do PSDB defendeu a necessidade de fazer uma análise detalhada para manter o nível de trabalho nos gabinetes. "Mas esses cortes têm de atingir também o Tribunal de Contas do Município, porque se for só na Câmara eu não concordo", afirmou.
O vereador José Amorim, líder do PTB, concorda com algumas propostas e outras, não. "A manutenção dos carros oficiais, que praticamente não são mais usados porque quebram o tempo todo, não tem mais sentido ser mantida", justificou Amorim. Ele não está muito convencido da necessidade de reduzir em 30% a verba dos gabinetes. Amorim disse que seus funcionários trabalham além do expediente e nem sequer recebem hora-extra.
"Eles ainda estão disponíveis sábado e domingo, para o atendimento à população", justificou. "Então, não entendo por que essa despesa seja desnecessária?"


