Vereadores afastados de Embu preparam estratégia para voltar ao cargo
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Mauro Carvalho 
Embu, SP, 16 (AE) - Os 18 vereadores afastados da Câmara de Embu, na Grande São Paulo, estão articulando para uma virada de mesa na segunda-feira (21), dia a ser realizada a primeira sessão da Casa com a participação dos novos parlamentares que foram empossados na noite de ontem (15). Tudo está mantido em segredo.
"Não vou dizer nada para não entregar o ouro para o bandido", disse o vereador afastado Natanael Lima Brito, o "Nata", sem partido. Na cidade, comenta-se que os afastados teriam contratado um escritório de advocacia na capital, o mesmo que defende o prefeito Oscar Yazbek. Funcionários da Câmara revelaram que os vereadores afastados José Borges de Moraes, José Alves de Souza e Mário Moura Gomes estiveram em vários horários em frente do prédio da Câmara protestando contra a decisão da Justiça. Diziam que a culpa era do vereador Geraldo Leite da Cruz (PT) e prometiam uma reviravolta.
Cruz, novo presidente da Câmara, disse possuir informações de que os vereadores afastados entraram com recurso no Tribunal de Justiça (TJ). "Não acredito que os desembargadores cassem a liminar", disse. "Os desembargadores têm mais elementos legais e jurídicos para manter do que para cassar a liminar", acrescentou.
Sentados nos bancos da Praça 21 de Abril, no centro do Embu, os munícipes discutiam a situação política do município. "Achei justa a decisão da Justiça; se eles erraram, têm de pagar", disse o metalúrgico aposentado Pedro Cândido Alves, de 60 anos, há 42 morando em Embu. Ele deu um conselho: "Os novos vereadores devem ficar espertos para não cometerem os mesmos erros." Para o torneiro mecânico Hélio Barbosa, de 44 anos, "se as provas são concretas, o afastamento foi correto". Ele reclamou da administração municipal: "No Embu, falta segurança, hospitais e pavimentação de ruas." O skatista Marcos Vinícius Aragão, de 16 anos, defendeu o afastamento. "Eles roubaram o dinheiro do povo e não podem mais continuar mandando na cidade."
Já o cidadão Antônio Medeiros, de 44 anos, mais conhecido como "Cingapura", "Repórter do Povo", ou "Ratinho do Embu", dono de duas rádios piratas, disse que os afastados foram "metralhados sumariamente em suas casas de trabalho sem direito de defesa e de julgamento". Amigo do prefeito, "Cingapura" disse que os congressos dos qual participaram mais de 5 mil vereadores e prefeitos são legais e perguntou: "Por que punir os 18?"
Os comerciantes evitam comentar o afastamento. O motivo é resumido por Avim Said, dono da Alvim Móveis: "Nós temos amigos dos dois lados e não queremos melindrar ninguém."


