São Paulo, 29 (AE) - A abertura de uma comissão processante contra o prefeito Celso Pitta (PTN) corre o risco de ser rejeitada na Câmara Municipal. Hoje, líderes de partidos que já haviam se posicionado favoráveis à abertura do processo de cassação de Pitta admitiram recuo. "Tudo vai depender das apurações realizadas pela comissão especial", disse o líder do PMDB, Jooji Hato. Ele referiu-se à formação da comissão especial que analisará o parecer entregue pela seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP). A comissão especial é o primeiro passo para abertura do processo. Formada por sete vereadores escolhidos de acordo com a proporcionalidade de cada partido na Câmara, a comissão tem dez dias para emitir um parecer favorável ou não ao prosseguimento das investigações.
Para qualquer uma das hipóteses são necessários quatro votos dos sete membros da comissão.
Segundo a Assessoria Técnica da Mesa, se o processo for arquivado pela comissão especial ele é encerrado. Caso o parecer seja favorável, ele será submetido a plenário. Para a abertura de uma comissão processante, são necessários 33 votos.
"A comissão especial irá analisar se a denúncia é admissível ou não", afirmou Jooji Hato. Segundo ele, isso não significa um recuo do partido. "Somos favoráveis a qualquer investigação, mas isso precisa ser estudado", disse Hato.
Opinião semelhante tem o líder do PTB, José Amorim. "Fica difícil dizer se o partido irá acatar a denúncia ou não", disse. "A abertura do processo depende do parecer da comissão"
afirmou. Hoje, quatro partidos indicaram seus membros para a comissão especial: Ivo Morganti (PMDB), Gilson Barreto (PSDB), Arselino Tatto (PT) e Cármino Pepe (PL). O PPB, que tem direito a duas vagas, e o PTB ainda não indicaram seus representantes.
Para a oposição, a abertura do processo de impeachment pode ser barrada por uma estratégia governista. "Está havendo uma estratégia para barrar o impeachment logo no início", disse o líder do PT, José Eduardo Martins Cardozo (PT). Para ele, o fato de dois partidos governistas não terem indicado seus representantes para a comissão especial é uma tática para que a situação ganhe tempo. "Quando o prefeito tem interesse em algum projeto eles decidem rapidamente", atacou o petista.
O líder do PL, Mohamad Mourad, disse que os vereadores do partido devem votar pela abertura do processo. "É um momento complicado, mas os vereadores já se declararam favoráveis à abertura do processo."

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