São Paulo, 30 (AE) - A vereadora Maeli Vergniano (sem partido), de São Paulo, terá de depor novamente à polícia. A informação foi dada hoje à tarde pelo delegado Romeu Tuma Júnior - que comanda as investigações da máfia dos fiscais -, depois de ouvir o ex-motorista Elizeu Sanches, principal testemunha de acusação de Maeli. Há alguns meses, Sanches denunciou, entre outras coisas, que usava automóveis da Vega Ambiental para levar filhos da vereadora ao colégio.
Ontem (29), durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais na Câmara Municipal, Maeli disse ter conhecimento sobre um suposto esquema onde Sanches e o assessor do presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT), Alexandre Mazza, teriam oferecido R$ 5 mil para duas testemunhas da vereadora mudar o depoimento e a denunciar.
Minutos depois, alegando estar constrangida, Maeli pediu para interromper a sessão e disse que só falaria em juízo. Com isso, deixou de responder às perguntas de Cardozo e do vereador Dalton Silvano (PSDB).
Tuma Júnior disse que hoje telefonou para a advogada da vereadora, Tânia Liz Nogueira, e convidou a parlamentar para depor. "Ela declinou do convite e disse que talvez na terça-feira (01) apareça com sua cliente", disse. O delegado ainda não sabe se também vai intimar o marido de Tânia, José Carlos Alckmin, responsável pela divulgação do suposto esquema no sábado.
Em relação ao depoimento de Sanchez, o delegado afirmou que, em três horas e 20 minutos, o ex-motorista negou todas as acusações levantadas contra ele e Mazza por assessores de Maeli e que há vários pontos inexplicados na suposta denúncia. "Para muitas pessoas, tratou-se de uma armação; para mim, foi modus operandi", afirmou. "Em outras ocasiões, sempre nos momentos de maior tensão, a vereadora dava um jeito de interromper o seu depoimento." Para o presidente da CPI, a armação foi clara. "Fizeram isso para tentar inviabilizar e tirar a credibilidade dos trabalhos da comissão", afirmou. "Estamos brigando contra o crime organizado, que aniquila testemunhas, elimina provas e intimida pessoas." Na opinião do promotor José Carlos Blat, os objetivos do suposto esquema montado para incriminar Sanchez e o assessor de Cardozo também são facilmente dedutíveis. "Eles estão tentando desmoralizar o presidente da CPI para tentar desmoralizar o relatório final da comissão."
Mazzao tem 24 anos, formou-se em direito em 1998 e faz mestrado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Ele disse que ficou estarrecido com a situação. "Tive contato com as irregularidades, principalmente por meio dos jornais e dos trabalhos com a presidência da comissão, e achava que tinha conhecido o limite das pessoas no desrespeito à cidade e aos bens públicos", disse Mazza. "Eu acabo de formar-me, tenho uma carreira toda pela frente, e é lamentável ver logo de cara meu nome envolvido nessa história."

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