Vereadora propõe abertura de CPI para investigar o Casa
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 27 (AE) - A vereadora Aldaíza Sposati (PT) propôs hoje a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Centro de Apoio Social e Atendimento (Casa), da Prefeitura de São Paulo. Um dos motivos alegados pela vereadora são as recentes denúncias envolvendo o órgão e que estão sendo investigadas pela Polícia Civil.
Ontem (26) o delegado Romeu Tuma Júnior apreendeu cerca de 350 caixas de documentos no Casa, na Vila Olímpia, zona sul. O delegado investiga um suposto esquema de desvio de dinheiro que seria destinado ao Casa. O dinheiro era proveniente de selos emitidos pelo órgão para pessoas interessadas em instalar placas de publicidade, na cidade.
Aldaíza deu entrada no requerimento após uma discussão com a vereadora Myryam Athie (PPB), durante a sessão. A pepebista sugeriu que também fossem investigadas ações da gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, que na época estava no PT. Foram coletadas 20 assinaturas e a aprovação da CPI deve ser submetida a plenário, na próxima semana.
A petista quer que sejam investigadas outras supostas irregularidades do Casa, que substituiu o extinto Corpo Municipal de Voluntários (CMV), em 1993. No mesmo ano, Aldaíza deu entrada a uma ação popular pedindo a anulação da criação do Casa. Na ação, ela alega que a criação do novo órgão deveria ser amparado por uma lei municipal e não um decreto do Executivo. Em 1995, Aldaíza e o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), José Eduardo Martins Cardozo (PT) deram entrada em projeto para suspender o selo da publicidade.
O secretário de Comunicação Social, Antenor Braido, classificou o pedido como mais uma denúncia do PT contra a Prefeitura. "O PT é a UDN do passado", comparou Braido, referindo-se à União Democrática Nacional. "É bom a Aldaíza fazer isso, pois serão investigadas a atuação do PT no antigo CMV", completou.
Segundo Braido, o Casa é vítima no caso dos selos de publicidade. Ele afirmou que o órgão emitia os selos e entregava para a Secretaria das Administrações Regionais (SAR), que por sua vez repassava às administrações regionais, para serem vendidos aos empresários. "O problema é que, muitas vezes, o dinheiro não retornava para o Casa", disse. Braido lembrou que, quando a presidente de honra do Casa e primeira-dama do Município, Nicéa Pitta, descobriu que havia suspeitas de irregularidades, o selo foi extinto, no início da atual administração.


