São Paulo, 08 (AE) - A polícia e o Ministério Público poderão solicitar, amanhã (09), à Justiça a prisão temporária da vereadora Maria Helena (PL). O pedido será feito caso ela não compareça ao Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird) para ser ouvida no inquérito que apura a tentativa de extorsão e supostas ameaças ao vereador Salim Curiati Júnior (PPB).
O estelionatário Fabiano Leite Sá Lima, preso quando pretendia receber dinheiro do vereador, acusou Maria Helena de ter planejado tudo. Disse à polícia ter tido um encontro com a vereadora no Hotel Love Story. O objetivo era ameaçar Curiati Júnior e sua família para intimidá-lo. Curiati e Maria Helena fazem parte da comissão que analisa a cassação da vereadora Maeli Vergniano, acusada de corrupção.
Quando da prisão de Lima, a vereadora afirmou também estar sendo vítima do estelionatário. Alegou que tem provas contra ele, como uma fita gravada. Ficou de entregá-la amanhã à polícia. Na sexta-feira, a vereadora foi autuada em flagrante por porte ilegal de duas armas. Uma das armas, um revólver calibre 38, pertence ao ex-investigador Jorge Gonçalves, preso em 1995 e condenado por sequestro e extorsão. Maria Helena alegou que foi advogada de Gonçalves e ficou com a arma para entregá-la quando ele for libertado. Prisão - A prisão temporária será solicitada se ela deixar de atender a intimação, disseram hoje o promotor Roberto Porto e o delegado Romeu Tuma Júnior. O advogado de Maria Helena, Nadir Tabaroni, disse que sua cliente não vai estar amanhã no Dird. "A vereadora coloca sob suspeição o delegado Tuma Júnior e os promotores Roberto Porto e José Carlos Blat". Maria Helena acusa os três de terem exigido R$ 200 mil para não autuá-la.
Os promotores e Tuma informaram que Maria Helena deverá provar o que declarou. Eles estão com o pedido pronto para processar a vereadora por calúnia, injúria e danos morais. Segundo Tuma, as acusações da vereadora são uma tática. "Nós fomos formados para mandar criminosos para a cadeia e pessoas como ela são adestradas para mandar gente para o cemitério", disse.
Ele disse ainda que Maria Helena tem como colar uma chave de algema. "Por que será que ela anda com a chave?", perguntou o policial. Promotores - "Estão dizendo que apreendemos duas frasqueiras com jóias, mas não é verdade", afirmou Tuma. Ele confirmou que foram encontrados R$ 17 mil numa frasqueira. O dinheiro foi localizado exatamente no lugar descrito por uma ex-funcionária do gabinete de Maria Helena. "Tiramos xerox de cada nota e anexamos ao inquérito", contou Tuma. "Se não ficar comprovado que é dinheiro de pagamento de propina, ele será devolvido à vereadora".
Tuma disse ainda que o investigador Paulo Rogério Neme, filho de Maria Helena e chefe do gabinete da mãe na Câmara Municipal, está afastado da Polícia Civil por licença médica. "Pedi para a Corregedoria verificar a situação funcional dele". Preventiva - O juiz Ivo de Almeida, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), deverá manifestar-se amanhã sobre a prisão preventiva de Maria Helena, solicitada sexta-feira pelo promotor César Zaccarias de Inellas, do Serviço de Apoio e Informação (Sai), do Ministério Público. Inellas entende que, em liberdade, a vereadora poderá coagir as testemunhas. Ele discordou da polícia, que arbitrou a fiança em R$ 200 e liberou Maria Helena.
Para Inellas, ela deveria ser recolhida a uma prisão especial, pois, além das oito armas encontradas na casa, Maria Helena tinha carregadores de armas de uso exclusivo das Forças Armadas. Os promotores e o delegado explicaram que a maioria das armas pertence ao filho de Maria Helena.

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