São Paulo, 23 (AE) - A vereadora Maeli Verginiano (sem partido), não compareceu ao depoimento marcado hoje na Divisão de Registros Diversos (DRD). Ela foi internada ontem (22) à noite no Hospital Beneficência Portuguesa, na capital, após passar mal na Câmara Municipal. Segundo o advogado de Maeli, João José Ramacciotti Júnior, a parlamentar começou a passar mal por volta das 19 horas, na Câmara. Após ser atendida pelo serviço médico da Casa, ela foi para o hospital, onde foi internada às 21h40.
O advogado não soube informar com exatidão o que aconteceu com a parlamentar, acusada de obter privilégios da empresa Vega Ambiental S/A. "Ela estava apreensiva e chorava muito", disse o advogado, que no momento em que a vereadora passou mal estava na Polícia Civil, no Butantã, zona oeste. "Após examiná-la, o médico da Câmara determinou que ela fosse internada", disse Ramacciotti. O depoimento estava marcado para às 11 horas. As 11h10, o advogado compareceu a DRD com um atestado do ambulatório da Câmara e um da Beneficência Portuguesa.
Ramacciotti classificou como uma coincidência o fato de a vereadora ter tido o mesmo problema de seu colega, Vicente Viscome (sem aprtido), que também passou mal, um dia antes de se apresentar na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fiscais. Na época, Viscome apresentou um atestado médico assinado por um ginecologista. "Ela está à disposição da Polícia Civil, e se for necessário e ela tiver condições, poderá ser ouvida no hospital", afirmou o advogado.
O delegado Romeu Tuma Júnior não escondeu sua insatisfação pela situação. "Isso é uma obstrução ao trabalho da polícia, até porque há uma testemunha do caso sendo ameaçada" declarou.. Ele se referiu ao ex-motorista contratado pelo gabinete de Maeli, Elizeu Sanches, que confirmou em depoimento a polícia, que a empresa Vega pagava carro, motorista e combustível para uso particular da família da parlamentar. O motorista estaria sendo coagido a mudar o depoimento por pressão de pessoas ligadas a Maeli.
O delegado Tuma nega, mas a polícia desconfia que a internação seja uma estratégia da vereadora para não depor. Causou extranheza aos delegados o fato do advogado, no momento em que a vereadora estava passando mal, não ter avisado a polícia, já que ele ficou na DRD até após às 20 horas de ontem. "Se ele soube na hora, no mínimo foi uma atitude deselegante", disse Tuma Júnior. Segundo ele, a ausência da vereadora não atrapalhará as investigações. "Continuamos nosso trabalho normalmente". Um novo depoimento será marcado para quando a vereadora tiver. "Queremos ouví-la pois acho que ela tem muito coisa para contar", disse o delegado. Jaçanã - A polícia está procurando dois ex-assessores do vereador Cosme Lopes (PPB), acusados de participação em esquemas de cobrança de propinas na Administração Regional do Jaçanã-Tremembé. Carlos Roberto Machado e Wilson Roberto Fernandes estão com a prisão temporária decretada desde terça-feira. Os dois são acusados de receberem propinas da empresa Labitare, que seria responsável pela abertura de loteamentos irregulares na região. Machado teria recebido da Labitare um cheque de R$ 3,5 mil e Fernandes de R$ 1.625,00.

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