Vereadora nega contratação denunciada por Nicéa
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Carla Miranda e Natalie Antar 
São Paulo, 30 (AE) - Irritada, a vereadora Myryam Athie (PMDB) negou hoje conhecer Wally Cecília Domingos. Segundo ela, Wally foi admitida na Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab) em 18 de junho de 1999, indicada pelo vereador Miguel Colasuonno (PMDB) e não por ela, como afirmou a ex-primeira-dama Nicéa Pitta, em depoimento à Procuradoria-Geral da Justiça, ontem (29). "Ele é que vai ter de se explicar", afirmou, referindo-se a Colasuonno.
Segundo a vereadora, Wally trabalhou na Cohab como assessora de diretoria até 21 de fevereiro de 2000. Myryam, que foi presidente da Cohab em 1997 a convite de Pitta, argumenta que já havia tomado posse como vereadora antes de Wally entrar na companhia de habitação. Ela foi para a Câmara em março de 1999 e Wally foi admitida pela Cohab em junho. "Não a encontrei nem na chegada nem na saída."
Durante o depoimento, Nicéa apresentou três fitas cassete com denúncias contra a vereadora. A primeira-dama disse ter recebido a visita de Wally, que afirmou que, depois de ter sido indicada para o cargo na Cohab, foi obrigada a entregar à vereadora R$ 1 mil de seu salário mensal. Isso teria sido feito também com outros funcionários da companhia, para financiar a futura campanha eleitoral da vereadora.
Wally seria mulher de um amigo de Myryam e, por isso, teria sido indicada para trabalhar na Cohab.
Myryam disse não entender a intenção dessa denúncia. "Só podem estar querendo calar essa vereadora e sujar a imagem dela", afirmou, referindo-se a si mesma. Para ela, Nicéa disse isso tudo só para aparecer.
Ela ainda desafiou o Ministério Público. "Nada devo, nada temo e estou pronta para qualquer investigação", afirmou. "É só abrir inquérito contra mim que eu vou ter o prazer de falar o que eu sei." Durante seu discurso, Myryam contou com manifestantes de apoio.
Procurada pela reportagem, Wally não foi localizada.


