São Paulo, 23 (AE) - A vereadora de São Paulo Maria Helena Pereira Fontes (PL) foi libertada às 17 horas de hoje. Ela estava presa desde 21 de dezembro no 89.º Distrito Policial, Portal do Morumbi, zona sul. Apesar de o Tribunal de Justiça (TJ) ter concedido habeas-corpus revogando, na tarde de ontem (22), a prisão preventiva da vereadora, o alvará de soltura só chegou ao distrito às 16h30 de hoje.
Ao ser libertada, Maria Helena abraçou o filho Paulo Rogério Pereira Neme na frente da delegacia. Chorando muito, ela se disse injustiçada. "Estou saindo daqui com muita dignidade"
afirmou. "Ainda acredito na Justiça do meu país." A vereadora está sendo acusada de corrupção e de coagir testemunhas durante a investigação sobre a máfia dos fiscais nas administrações regionais de São Paulo.
Maria Helena declarou-se inocente de todas as acusações. "Só quero dizer que entrei de cabeça erguida e estou saindo de cabeça erguida."
Sensacional - A vereadora afirmou não ver problemas na criação da Comissão Processante que pode cassar o seu mandato na Câmara. "Ela é muito importante para que a verdade venha à tona", disse. "Achei sensacional a instalação." Com relação ao risco de cassação, ela disse que, "se a Justiça for feita, isso nunca acontecerá".
A vereadora creditou sua prisão e a denúncia contra o presidente da Câmara, Armando Mellão Neto (PMDB) - feita ontem pelo Ministério Público - a uma intriga política. A parlamentar negou-se a citar nomes, mas garantiu que os responsáveis vão aparecer à medida que os processos movidos contra ela avançarem. "Isso tudo é uma politicagem barata", destacou. A Justiça, segundo ela, será feita por Deus. "Estou tranquila."
Sessão - Maria Helena prometeu comparecer à sessão da Câmara. Ela disse que os 64 dias que passou no 89.º DP não abalaram sua vida. "Foi muito bom: foi um período de reflexão"
garantiu. "Só me lembro de coisas boas."
Indignada, Maria Helena considerou a decretação de sua prisão preventiva um abuso. "Faz 64 dias que eu saí de casa, beijei meus filhos de 4 e 5 anos de idade, fui para o meu gabinete e até hoje não voltei." Apesar do "tempo de reflexão", ela disse que a prisão não mudou a sua maneira de agir. "Vou continuar a minha vida, que sempre foi trabalhar."
O depoimento de Maria Helena na Comissão Processante está marcado para as 9 horas de amanhã. O presidente da comissão
Paulo Frange (PTB), negou que o fato de a vereadora ter sido solta influencie a atuação do grupo. "Nosso trabalho é técnico e ela terá ampla liberdade para acompanhar o processo", afirmou Frange.

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